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Como se respira teatro!!!
O teatro corre-lhes no sangue. Sente-se isso quando quatro estudantes finalistas da Escola Superior de Teatro e Cinema agarram na peça do actor e dramaturgo norte-americano Sam Shepard, “Loucos por Amor”, e pela mão do encenador Paulo Lage pisam o palco… com as certezas e a garra de quem está a começar.
João de Brito, Cheila Lima, Carlos Malvarez, o único que já terminou a licenciatura, e Tiago Nogueira agarraram neste texto polémico e o fazem respirar.
Esta peça conta ahistória de um amor incestuoso entre Eddie (João de Brito) e May(Cheila Lima), onde a sombra do pai (Tiago Nogueira) é uma constante, bem como o amor ingénuo de Martin (Carlos Malvarez) por May.
“A escolha do texto “Loucos por Amor” tem a ver directamente com o meu
interesse enquanto encenador em trabalhar os conflitos do ser humano e
a dificuldade e agressividade que existem nas suas relações, numa época onde tudo é tão rápido que não nos damos conta o quão rápida é uma relação”, explica Paulo Lage.
Os quatro actores tiveram nesta encenação, realizada no âmbito do
trabalho de 2º ano de Mestrado em Encenado que Paulo Lage está a tirar
na Escola Superior de Teatro e Cinema, uma prova de fogo: a peça
desenrola-se toda dentro de um pequeno espaço, ladeado por uma rede e
com o público sentando no palco a escassos centímetros da cena.
Do lado de fora da rede dá para sentir as respirações, os compassos de espera, as coreografias, as marcações de tempos e espaços, as
hesitações e acima de tudo a paixão por representar.
Dá para ver ao pormenor as roupas, as maquilhagens, os pormenores
perfeitos e imperfeitos dos corpos daqueles que dão vida às quatro
personagens criadas por Shepard para serem seres comuns, com os quais
nos podemos cruzar nas ruas do oeste norte-americano.
Aliás, “Loucos pró Amor” (1983) é para muitos a peça que define Sam Shepard como pessoa e exemplifica na perfeição o seu gosto pelo Oeste americano.
Shepard foi vencedor do Prémio Pulitzer e, com mais de 40 peças
escritas, é autor de Cruising Paradise e de dois volumes em prosa,
Motel Chronicle e Hawk Moon. Como actor recebeu uma nomeação para os
Óscares, em 1984, pela sua interpretação em The Right Stuff. O seu
guião para Paris Texas obteve a Palma de Ouro do Festival de Cinema de
Cannes de 1984, e escreveu e realizou o filme Far North, em 1988. As
suas peças teatrais, onze das quais ganharam o Prémio Obie, incluem
Fool for Love (“Loucos por Amor”) e A Lie of the Mind, que obteve um
galardão do New York Drama Desk.
A peça, que esteve em cena no Auditório Carlos Paredes, em Lisboa, está agora preparada para pisar outros palcos do país.
Quem é quem?
Paulo Lage frequenta o 2º ano do mestrado em Encenação na Escola Superior
de Teatro e Cinema, e tem a Licenciatura em Actores/Encenadores pela mesma escola.
Frequenta o 2º ano da Licenciatura em Filosofia na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa.
Tem o curso de criação artística da Gulbenkian.
Como actor trabalhou no Teatro Nacional Dona Maria II na peça
“Berenice” e na Companhia de Teatro Azor, no espectáculo “La Vierge e
La Licorne”. No cinema integrou o elenco do filme assinado por Joaquim
Leitão “Até Amanhã Camaradas”.
João de Brito
concluiu o 1º ano de Formação de Actores da Universidade Moderna e o
curso de Formação de Actores da In Impetus. É finalista da licenciatura
do curso de Teatro/Actores da Escola Superior de Teatro e Cinema.
Já trabalhou com Luís Zagalo, Ávila Costa, Miguel Fonseca e Paulo Lage.
Já este ano apresentou no Teatro São Luíz “Brilharetes”, de António Tarantino, no Ciclo de Novos Actores.
Em televisão participou nas séries “Diário de Sofia”, “Chiquititas”, “Rebelde Way” e “Liberdade 21”.
Cheila Lima é finalista da licenciatura do curso de Teatro/Actores da Escola Superior de Teatro e Cinema.
Em 2005 estagiou na Companhia Horse & Bamboo em Manchester,
integrando o elenco de “In the shadow of trees”, de Bob Firth,
representado no Royal Exchange Theatre.
Um ano depois ganhou o Prémio Profissional de Teatro Zita Duarte.
A sua estreia no teatro foi com a peça “Cabaré de Ofélia”, de Armando
Nascimento Rosa, encenada por Cláudio Hochman, nos teatros Garcia
Resende e Trindade.
Carlos Malvarez
licenciou-se em teatro pela Escola Superior de Teatro e Cinema, fez
estágio de artes performativas Voyages du Geste na Bélgica, país onde
em 2008 participou em diversas performances no Festival du Conte. Nesse
mesmo ano integra a companhia de Teatro Magia e Fantasia no espectáculo
“Peter Pan”, de James Barrie. É co-fundador do Teatro do Azeite, onde
participou como actor no espectáculo “Malas Artes” no Teatro Bocage, em
Lisboa (2008) e no Teatro Latino, no Porto (2009).
Tiago Nogueira
é também finalista da licenciatura do curso de Teatro/Actores da Escola
Superior de Teatro e Cinema. Tem o curso Profissionalizante de Formação
de Actores do Espaço Evoé e o curso da Associação In Impetus.
Em televisão participou na série T2 para 3 e em cinema na curta-metragem “Sentimentos em Director”, de Fábio Martins.
Foto: Iris Beça
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