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Miguel Rivotti, Artista

Entrevista

Miguel RivottiPode-se considerar que Miguel Rivotti é um músico do mundo.
As fases pelas quais passou mostram a versatilidade de um artista para quem a música, mais do que uma profissão, é a sua vida.
No ano em que comemora 25 anos de carreira, esse é o mote para o lançamento do seu novo trabalho “(Con)tradição”. Este é um trabalho onde a world music sobressai, num estilo bem diferente do que fez no passado. O nome do álbum remete precisamente para um contrariar de um estilo e o encontro de outro, não porque não gostasse do que fazia, mas pela vontade de fazer coisas novas, como numa reinvenção contemporânea.

O Jornal Dínamo® quis falar com o artista, para perceber um pouco, acerca do que o move e como nasceu esta “(Con)tradição” e acerca do primeiro EP “Sempre que o Fadista Canta” que foi lançado a 1 de Junho deste ano.

Aqui fica a entrevista, que saiu dessa conversa.

J.D.Comecemos por falar desta “(Con)Tradição” que é o nome do seu novo trabalho. Posso dizer que temos aqui uma palavra com um duplo sentido…

M.R. – “Contradição” porque contraria o género musical ao qual habituei o público que ainda hoje me segue, sem os querer contrariar. “Com tradição” porque apresento neste novo projecto de sonoridade contemporânea, a fusão dos sons tradicionais portugueses, tais como guitarra portuguesa, os bombos e os adufes, que identificam a nossa cultura, com outros sons do mundo, como a guitarra flamenca e a percussão afro e ibérica. Sinto que o “(Con)Tradição” é um roteiro perfeito, para realizar uma viagem aos “sons do mundo” encimado pela Alma Portuguesa.

J.D.Este é um projecto de world music que inclui diversas harmonias, incluindo o fado. De onde aparece esta nova inspiração?

M.R. – O fado surgiu na minha vida muito cedo como um conjunto de músicas “muito interessantes” e cantado por figuras que enchiam um palco com a sua energia, carisma e imagem marcante. Com o passar dos anos, o fado passou a falar directamente para o meu íntimo, com melodias contundentes e letras que me surpreendiam a todo o momento, pois pareciam saber exactamente o que eu estava a sentir. Aí, os fadistas deixaram de ser “só” figuras intensas e carismáticas e passaram a ser, para mim, almas cantantes, senhores de uma sabedoria imensa e capazes de acalmar as nossas mágoas e falar às nossas alegrias com um abraço ternurento, transportado pelas guitarras. É assim o meu fado! É de onde venho, onde estou e para onde quero ir. Reinventando-o com todo o respeito pela tradição, mas levando esta mágica longe e com força no mundo actual, “até que a voz me doa!”.

J.D.Este é também o ano que comemora 25 anos de carreira. Voltava a fazer tudo de novo?

M.R. – Confesso que eu sinto que começo “tudo de novo”, todos os dias da minha vida. Nada do que temos é garantido e eu celebro cada elogio que recebo, cada “like” no Facebook ou no Instagram, cada autógrafo que me pedem, como se fosse o primeiro da minha carreira. No fundo, recebo todas as manifestações com muito entusiasmo e respeito todos quantos se expressam em relação ao meu trabalho.
Não estou na música (aliás, nem em nada do que faço) a ocupar um lugar com a postura de que “isto já é meu”, e “daqui ninguém me derruba”. Nada disso! Estou, sim, de modo constante, a lutar por fazer sempre mais e melhor a fim de continuar a merecer todos os dias, a atenção e o carinho que me dedicam. Se pudesse voltar atrás no tempo… acho que aceitaria esse desafio, para poder recomeçar de novo aos 4 anos na música infantil e poder cometer grande parte dos erros, pois só assim teria mais uma certeza que todos eles foram precisos, para me tornar aquilo que sou hoje. Mas se quer saber, não me sinto arrependido do percurso que tracei até agora. Sinto que também com os momentos menos bons aprendi algo importante. Tenho sempre presente que a vida é uma aprendizagem constante e vivo cada momento como único e irrepetível e acho que é muito importante as pessoas não ignorarem esta realidade.

Miguel RivottiJ.D.No dia 1 de Junho, lança o 1º EP – “Sempre que o fadista canta”, uma edição e distribuição digital em 248 países pela FAROL Música. Porquê a escolha deste tema? Que reacções tem tido deste primeiro lançamento?

M.R. – Tenho tido as reacções mais positivas e oriundas dos públicos mais diversos. Tenho consciência que “Renascer” com o título “Sempre que o fadista canta”, cantado pelo “Miguel Rivotti” gera alguma inquietação e até alguma curiosidade (risos). É minha esperança, que depois desta estranheza e depois de se ouvir o tema, se perceba a minha intenção de homenagear, com toda a humildade, os fadistas e todos os músicos que se dedicam ao fado, bem como a alma portuguesa e demonstrar o meu desejo de começar a caminhar pelo mundo do Pop Fado, com um imenso orgulho, seguramente com um mundo imenso para aprender.

J.D.Ernesto Leite, Mário Rui Pereira, Dora Reis, Cristina Caras Lindas e Miguel Rivotti, são os nomes que assinam a autoria dos poemas das suas músicas. Fale-me um pouco como aconteceu este encontro?

M.R. – Foi uma experiência fantástica que vivi até hoje em termos artísticos e um grande orgulho, poder reunir pessoas de quem gosto muito, quer enquanto pessoas, quer enquanto profissionais. Ter à minha frente pessoas genuínas, com um brilho fantástico nos olhos quando se falava sobre os poemas ou melodias certas para o “Miguel Rivotti”, fez-me sentir muito especial e acarinhado por todos eles. Ao longo de um ano e meio, que foi o que demorou a concepção global do álbum, o ambiente entre autores, compositor, músicos e técnicos, foi fantástico e facilitou muito todo o processo criativo. Formámos uma bonita família. O Ernesto Leite enquanto autor/compositor, o Mário Rui Pereira, enquanto autor, Cristina Caras Lindas e Dora Reis, autoras, tiveram uma capacidade fantástica, para me radiografar e passarem para a escrita as palavras certas, que combinam com a minha maneira de ser e de estar na vida. Este disco é autobiográfico. Sou eu!

J.D.Entre o ano 2000 e 2004 assumiu o cargo de Comissário Português para a “Alta Academia Europeia das Artes do Espectáculo”, com sede em Estrasburgo. Este foi um desafio que lhe trouxe ensinamentos importantes?

M.R. – Sem dúvida alguma. Se até então eu estava certo que a Arte não tem nação, sexo ou cor, com esta minha experiência descobri que a Arte não tem fronteiras e a linguagem utilizada por si é universal. Quando falamos nos “jovens sem fronteiras”, neste caso eu falo na “Arte sem fronteiras”.
Foi muito gratificante acolher em Portugal jovens estudantes nas diferentes áreas performativas e colocá-los em contacto profissional com vários profissionais portugueses, que se movimentam nas mesmas áreas. Estes projectos e intercâmbios desenvolvidos pela Alta Academia Europeia das Artes do Espectáculo, visam, exactamente, proporcionar aos jovens artistas dos vários países da europa, experiências diversas na sua área de intervenção artística, vividos em diferentes contextos socio-culturais. Deste modo, é-lhes dada a oportunidade, inclusive, de apresentar o seu próprio trabalho artístico nos países que visitam. É uma vivência artística muito interessante para quem quer fazer do mundo do espectáculo o seu “modus vivendi” futuro. São experiências que abrem horizontes, vivem-se as realidades in loco e geram-se oportunidades.
A minha função passou por organizar a recepção deste grupo de jovens artistas em Portugal, de os orientar no tempo que cá estiveram. No exame final de curso deles, fiz parte do júri europeu de avaliação dos seus desempenhos finais.
Entretanto, tive que me retirar devido à minha falta de disponibilidade de tempo, para acompanhar projectos desta envergadura. No entanto, o balanço desta experiência foi muito positivo, pois também me senti enriquecer em termos culturais e artísticos. Por muito que saibamos, estamos sempre a aprender e eu também aprendi com os jovens que acompanhei. Músicos instrumentistas, cantores, bailarinos, cineastas, actores, produtores, coreógrafos, artistas plásticos… enfim… formámos uma bonita família de gente, que sendo igual a todos os comuns mortais, são diferentes na sua sensibilidade, sonhando colorir a sua vida e a vida dos outros com magia e alegria.

J.D.Em Outubro 2017, marcou presença naquele que foi considerado até hoje o maior certame da World Music, o “WOMEX” em Katowice – Polónia. Foi importante esta participação para sedimentar a sua carreira?

M.R. – Sinto que todas as experiências são enriquecedoras desde que bem orientadas e desde que tenhamos bem definidos os nossos objectivos, independentemente do tempo que demoremos a alcançá-los.
A “Womex” é de facto uma grande “montra” de músicos, bandas, empresários e managers artísticos de todo o mundo. Figurar num certame destes é marcar presença no mundo e dar a oportunidade a ti próprio de mostrares o teu trabalho àqueles que o podem promover e agenciar nos seus próprios países. Foi com essa intenção que o meu manager decidiu a minha representação na “Womex” quer no ano passado quer este ano no mês de Outubro, em Las Palmas. São, indiscutivelmente, marcos muito importantes na carreira de um artista e eu sei que o meu manager está muito empenhado na gestão da minha carreira. Existem vários contactos internacionais e está a ser agendada a “(Con)Tradição International Tour”. O lançamento oficial do álbum no mês de Novembro dita o seu início.

J.D.Voltando ao trabalho que agora lança, tem já uma calendarização de concertos? A seguir a este trabalho o que se seguirá?

Miguel RivottiM.R. – Para já, iniciei a promoção do primeiro EP “Sempre Que o Fadista Canta” na televisão, rádios, jornais, revistas, blogues da especialidade e outros, que tão simpaticamente têm apadrinhado este meu trabalho com a sua divulgação. Sinto-me muito grato. Confesso que não sei como agradecer tantas manifestações de apreço que tenho recebido da parte de tanta gente, desde o dia 1 de Junho a partir das redes sociais, através da página do Facebook Miguel Rivotti Oficial, site oficial e até mesmo pelo Instagram.

O EP está disponível em todas as lojas e plataformas digitais.
O segundo EP será lançado no dia 5 de Outubro e traz aí uma surpresa, à qual o público não ficará de certo indiferente. Desejo muito colocar o nosso país a cantar melodias que se tornem viciantes. No dia 14 de Outubro irei apresentar o meu concerto ao vivo em Aveiro, e pela agitação que já se faz sentir, adivinha-se sala cheia.
No dia 9 de Novembro acontecerá a distribuição digital e física do álbum “(Con)Tradição” seguindo-se um conjunto de show-cases de apresentação do álbum, em diferentes pontos do país durante os meses de Novembro, Dezembro e Janeiro, que também serão atempadamente anunciados nas redes sociais, para conhecimento do público em geral.

Para já, conto com a ajuda do público que me segue e que gosta da minha música, na divulgação do videoclip do primeiro EP “Sempre Que o Fadista Canta”, esperando que este vos anime em grande neste verão.

J.D.Terminamos sempre as nossas conversas com a mesma pergunta. O que gostaria de dizer a todos aqueles que possam vir a ler esta entrevista?

M.R. – Começaria por agradecer o interesse e assumir a minha vontade de não os desapontar. Além disso poderia acrescentar, que este projecto me deu um imenso prazer gravar e me enche de um enorme orgulho. Acredito que será audível em cada um dos temas, porque cada um é especial. Sei que estamos num mundo sem paciência e sem vontade de parar, com muitas exigências, muita competição e uma imensidão de tarefas a cumprir até chegar a casa e depois outras tantas em casa, seguido de um sono apressado para começar tudo de novo, na manhã seguinte. Espero com este trabalho poder trazer alguma tranquilidade a essas correrias, no carro para o trabalho, nos auscultadores durante o treino ou mesmo no fim do dia enquanto se prepara o jantar.
Gostava de conseguir proporcionar alguns momentos de descontracção e, porque não, reflexão para que ainda que por alguns minutos, a vida não seja o que temos de fazer para os outros, mas seja um alimentar daquilo que me faz “eu” e me torna único e insubstituível.
Muito obrigado. O meu bem-haja a todos. Abraço-vos e boa sorte!

O Jornal Dínamo® agradece ao Artista Miguel Rivotti, a possibilidade de realizar esta entrevista.

Fotos: Cedidas por Miguel Rivotti

 

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