Sónia Adonis Jewellery
Visitar Goste da página Facebook Contacte Adonis Jewellery

Concerto AC/DC

Rock Or Bust Tour Lisbon 2016

rockorbustO cinzento predominava no ar. A chuva persistente adivinhava uma “Highway to Hell” bastante molhada. Enfrentando a tempestade, na eminência de estoirar um “Thunder”, na fila para a entrada no recinto, nuestros hermanos, em grande quantidade, faziam-se notar pelo seu habitual bulício.
O Rock’n’Roll pairava no ar, ainda abafado pelos capuzes e alguns chapéus-de-chuva, que obrigatoriamente tinham que ficar à porta. A tribo comparecia em bloco para assistir a mais um concerto de uma das bandas do seu coração. Os AC/DC. Incontornáveis na História do Rock, companheiros na banda sonora da vida de várias gerações sempre presentes nos seus concertos, com uma quase religiosidade, em que avós, pais e filhos, comungam da mesma paixão pela música desta fabulosa banda. São também inspiradores de milhões de outros músicos que continuam a gritar Rock’n’Roll never dies.

Pelas 19H40, ainda debaixo da invernia, Tyler Bryant com os The Shakedown, rasga os primeiros riffs da sua guitarra, adivinhando-se uma viagem musical pelos Blues e o Rock do Sul, estilos que este músico texano de 26 anos domina com bastante segurança. Banda segura e eficaz que não complica, mas ainda longe da qualidade exigível para poder emergir no complicado mundo do Rock mainstream.
the-shakedownFica para a história a versão “I Got My Mojo Working” de Muddy Waters, mas principalmente a prece que Tyler grita ao micro no fim da segunda música; “The Rain Won’t Stop Us”, e não é que o milagre acontece; como por magia dos deuses do Rock, não mais choveu toda a noite.

Mas a peregrinação era para assistir aos todos-poderosos AC/DC, já com milhares de cornitos vermelhos luminosos como paisagem, era hora de comer qualquer coisa ou procurar na lama pelo melhor lugar para assistir ao que aí vinha.
A expectativa era grande. Após rios de tinta gastos a relatar as infelicidades com os membros da banda, (Malcolm Young tinha enlouquecido e não se lembra das canções e Brian Johnson que está completamente surdo e não consegue afinar uma nota), além da escolha polémica de Axl Rose, vocalista dos Guns N’ Roses, banda esta à qual não se elogia o gosto musical, e que dividiu profundamente os fãs da banda australiana, levando a arrebatadas discussões nas redes sociais e muitos a vender o bilhete vangloriando-se disso. O teste de fogo e veredicto final estavam a caminho.

Concerto AC/DC 121H15 Astronautas num planeta a espetar uma bandeira australiana, riffs de “Back in Black”, sinos do “Hells Bells” e um cometa a colidir na Terra em contagem decrescente. Tinha começado.
Angus Young na sua habitual indumentária de menino colegial, arranca a fundo da inseparável Gibson SG os primeiros riffs, Axl Rose sentado com um pé de gesso no ar, lança os primeiros “Yeah’s”. “Rock or Bust”, a música que dá nome à tour, já nos entra pelos tímpanos acima. Seguem-se “Shoot to Thrill” e “Hell Ain’t A Bad Place To Be”, a festa começa a aquecer. “Back in Black” rebenta no excelente PA, “Got Some Rock Thunder”, “Dirty Deeds Done Dirt Cheap” e “Rock’n Roll Damnation” e o pessoal já perdoou o Axl Rose. Venha mais. “Thunderstuck” e Angus já sem o casaquinho vermelho ataca “High Voltage”, segue uma canção nova “Rock’n Roll Train”. “Hells Bells” com um sino enorme a baloiçar no palco volta a agarrar a multidão que se deixa embalar para “Given the Dog a Bone” e “Sin City”.

Uma avalanche de hinos vem a caminho “Shook me All Night Long”, provoca imediatamente uma reacção em cadeia, que vai aumentando com “Shot Down in Flames”, ”Whole Lot a Rosie” com uma gigantesca Rosie em palco, “Have a Drink on Me” e “TNT”, terminando a primeira parte do espectáculo com “Let There be Rock” com Angus Young a fazer o seu habitual rodopio de costas, enquanto sola que nem um louco. O público está conquistado.

O encore rebenta com “Highway to Hell” com Angus já só em calções e os emblemáticos devil horns na testa, mais rodopios no chão e o duck walk imortalizado por Chuck Barry que tanto o australiano gosta incluir nas suas performances. Vem “Riff Raff” e despedem-se de Lisboa com “For Those About to Rock” com salvas de canhão e fogo de artifício. Apoteótico.

À saída a opinião era unânime, tinha valido a pena. Apesar de todas as adversidades pela qual a banda tem passado, a verdadeira alma não se perdeu. Sobreviveram a Bon Scott e a Brian Johnson, e com ou sem Axl Rose, enquanto existir Angus Young os AC/DC são uma máquina do Rock.

Fotos: Everything Is New
Fonte: Miro do Carmo

Partilhar...

Comentar

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.

Social media & sharing icons powered by UltimatelySocial
Instagram