Entre a boa disposição da banda norte-americana, que já se encontrava há alguns dias em território nacional a visitar o país, e uma ou outra farpa lançada à conta do cancelamento do concerto na edição de 2012, o alinhamento variou entre temas mais antigos como são exemplo “I Will Possess Your Heart”, “Crooked Teeth” ou o mais recente álbum, “Kintsugi” (2015), “The Ghost of Beverly Drives” ou “Black Sun”!
Destaque ainda para os temas do álbum “Transatlanticism” que foi devidamente festejado pelos presentes quando tocado o tema “The New Year”!
Em boa verdade senti falta de um dos temas mais cativantes da banda, “El Dourado” a fazer-nos lembrar um pouco os britânicos Pet Shop Boys (que em boa verdade se diga, a voz de Ben Gibbard em muito se assemelha a de Neil Tennat).
Pelas 23H20, começou o início do fim e davam entrada a banda britânica Ride.
Talvez porque exista uma certa confusão generalizada entre o estilo dos Ride, ora pop ora rock, ora não o é, foi uma oportunidade para o público dispersar para outros palcos como o ATP ou tenda Pitchfork que por esta hora apresentavam o trio feminino de punk norte-americano EX HEX, projecto encabeçado pela ex-vocalista dos White Flag, Mary Timony.
Os tempos são de viragem, mas EX HEX mantem os bons fígados do punk complexo e irresistivelmente melódico!
Ora como bem tenho indicado no meu testemunho nesta que foi a segunda edição que o Jornal Dínamo® acompanhou do NOS Primavera Sound, as escolhas por vezes são difíceis, mas há que as fazer e como claramente as mesmas incidem sobre bandas que considero terem um percurso positivo ou promissor na música, era altura de me deslocar para o Palco ATP para confortavelmente me instalar e ver os The New Pornographers que entraram em palco às 00H35.
O Palco ATP é um espaço que tem como objectivo, albergar projectos promissores na música, mas que ou ainda estão numa fase embrionária ou ainda não se alargaram ao vasto espectro da música, sendo uma oportunidade de vermos novas bandas ao vivo que num festival de índole mais comercial, se calhar, não teríamos oportunidade para tal.
O facto de serem bandas novas ou não muito conhecidas do público em geral (salvo raras excepções como o caso do concerto do dia 5, dos Sun Kill Moon ou Movement, não fazem contudo estes grupos terem menor valor, muito pelo contrário… ao longo das quatro edições do NPS, o Palco ATP tem sido uma verdadeira caixa de pandora e pautado pela qualidade das propostas apresentadas.
Os canadianos The New Pornographers, oriundos de Vancouver, são praticantes de um indie com contornos de power pop onde abunda uma complexidade extremamente melódica na sua proposta musical.
Esta que é uma banda com uma carreira solidificada, apesar do interregno para projectos paralelos dos membros da banda, que quando retomaram ao activo, assumiram o seu património e influências em bandas como Big Star ou Beach Boys, tendo-se materializado no último disco “Brill Bruises” (2014).
Confesso que a minha expectativa para este concerto era alta, mas devido ao facto de estarem a ocorrer concertos no palco contíguo e alguns problemas de som fizeram da actuação dos canadianos uma certa desilusão.
No alinhamento a aposta foi variando em temas como “Brill Bruises”, “Dancehall Domine” do álbum editado em 2014 ou num regresso ao passado com trabalhos discográficos como “Together” e “Twin Cinema”, com temas como “Moves”, “Sing me Spanish Techno”, entre outros.
Pelo meio, ainda houve direito a alguma dança ao som do tema “The Champions of Red Wine” que arrancou maiores aplausos a uma banda que teve uma actuação morna, vaticinada por alguns problemas de afinação e som.
UNDERWORLD – A esculpir os trilhos da felicidade por meio da dança
E porque pela 1H30 da manha, já precisávamos de uma saturday night fever e aquecer os corpos, voltámos à base e no Palco NOS era hora dos reis da noite contrariarem o frio.
Estes que são icónicos na aurora da música electrónica, são também eles culpados pela ascensão do house progressivo mainstream.
Os sets são de uma fusão homogénea de house, pop, techno que se revigoram em explosões de energia que fizeram os presentes na actuação dos UNDERWORLD… dançar, dançar e dançar na dancefloor do Palco NOS.
O alinhamento foi rico e a motivação para o concerto foi a celebração do 20º aniversário da edição do primeiro trabalho, “Dubnobasswithmyheadman”, disco que catapultou a dupla para os sucessos internacionais.
“Dark&Long” dá o arranque à actuação que se sucedeu com temas como “Mmm… Skyscraper, I Love You”, “Surfboy”, “Spoonman”,” Tongue” (…) terminando a incursão de “Dubnobasswithmyheadman” em “Me”.
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A tónica da actuação haver-se-ia transformado em lema do concerto, tendo Karl Hyde, repetido diversas vezes ao longo do concerto, “dançar é a raiz de todas as coisas boas”, finalizando com os electrizantes “Rez” e “Born Sleppy. NUXX” do álbum “Second Toughest in the Infant”.
Primavera Sound, um sucesso garantido
Encerrada a edição de 2015, e com a garantia sólida de que o “NOS Primavera Sound” é neste momento uma marca patenteada e devidamente alicerçada no Porto.
Estão já agendadas as datas da 5ª edição do “NOS Primavera Sound” 2016 para os dias 9, 10 e 11 de Junho, com um cartaz de luxo, conforme a organização já nos tem habituado.
Fonte: Luís Manuel Pontes
Fotos: NOS Primavera Sound / Hugo Lima ©
Agradecimentos: Marina Reino/ Luís Gomes (NOS)


