Facebook Pixel

Closer

Auditório do Casino Estoril

| Os primeiros sons são de Radiohead, com “How to Disappear Completely” e se traduzíssemos para português, “Closer” quereria dizer “Mais Perto”, e é precisamente isso que quatro actores tentam, através de um enredo complexo sentir-se… mais perto, mas será que o conseguirão?

João Reis, Paula Lobo Antunes, Renato Godinho e Sara Matos são as quatro personagens que dão vida a uma peça, da autoria de Patrick Marber e encenada pelo Actor Rui Mendes.

Para além de ter já sido representada em teatro muitas vezes quer em Portugal e no estrangeiro, foi adaptada para cinema, há alguns anos, tendo tido como Actores, Clive Owen, Jude Law, Julia Roberts e Natalie Portman.

O Jornal Dínamo® teve oportunidade de falar com os Actores e Encenador, acerca de uma peça que é já considerada, um retrato vivo da vida e uma consequência do mundo em que vivemos.

joao-reisComeçamos com o Actor João Reis, cujo curriculum é já vasto, quer no teatro, televisão e cinema, e quisemos saber um pouco de como se preparou para vestir a sua personagem, Larry. “Basicamente eu preparo-me sempre da mesma forma para os trabalhos que realizo. Descubro as coisas na contra cena com os outros actores e começo a perceber as coisas boas e as coisas más da personagem e lanço-me a ela calma e lentamente. Algumas indicações do Rui Mendes que é o encenador desta peça foram muito importantes também. De resto usei o método habitual que uso no meu trabalho. Senti uma dificuldade neste espectáculo pelo facto de ele ser muito fragmentado, e pelo facto de ter que entrar logo no âmago da personagem. Isso é difícil porque é um texto que demora um bocadinho a aquecer. Tudo parece começar muito lentamente, e assim que começa já se lá tem que estar. Mas o facto de as personagens estarem sempre à beira de uma ruptura qualquer é uma das melhores coisas que o texto tem. O facto de termos poucos elementos cénicos faz-nos sentir um bocadinho desamparados, porque a envolvência e o ambiente ajudam muito nas cenas. Acima de tudo esta peça vive muito do trabalho, da entrega e da relação dos actores mais do que o aparato cénico que é quase nenhum, tirando o vídeo que passa em background, que serve para pontuar as passagens, e para contextualizar porque são cenas passadas em Londres. Uma coisa é certa, esta peça exige sem dúvida concentração e esforço. Espero que corra tudo bem, e que quem vier ver esta peça goste do nosso trabalho”.

paula-lobo-antunesEm seguida conversámos com a Actriz Paula Lobo Antunes, cujo trabalho tem também passado pela TV e pelo Cinema, que nos explicou que foi muito importante sentir o peso da sua personagem. “Geralmente para todos os trabalhos que faço, eu trato de absorver o texto e ver onde estão as ideias chave das personagens que é o que as outras pessoas dizem acerca delas, das suas atitudes, como é que elas lidam com as situações e portanto acaba por ser um pouco, fazer de detective e essa é a parte boa de fazer uma personagem no teatro, ou uma peça porque está toda lá e nós vamos acrescentando as nossas pequenas coisas. Neste caso foi importante sentir o peso desta personagem, porque acho que ela é uma pessoa com muita “bagagem”. É uma personagem ferida, mas forte ao mesmo tempo. Quando começámos o ensaio, o Rui pediu-nos para escrevermos o diário da nossa personagem, e a maior parte das coisas que escrevi, foram coisas muito feridas e isso torna esta personagem numa pessoa pesada, também a torna aparentemente inatingível, mas não deixa de ser muito frágil no interior. Isso foi uma das coisas que eu quis mostrar nesta personagem. Não posso deixar de mencionar a ajuda preciosa do Rui Mendes que foi importantíssima porque ele dá-nos uma enorme confiança, vai-nos estimulando e dano-nos o retorno. Muito importante é sem dúvida fazer um trabalho de casa bem feito e depois seguir os instintos e confiar no texto e como neste caso o texto está tão bem escrito, não há uma vírgula se quer para acrescentar”.

Tendo esta peça quatro personagens tão ricas, quisemos saber, que tipo de sensações sentiu ao vestir a pele de Anna. “Estar no palco a vestir a pele de uma personagem que é insegura é muito bom, porque podemos jogar com isso. Saber que não posso fazer certas coisas, que tenho de contrariar certas emoções é um exercício maravilhoso, até mesmo para mim como pessoa. Por exemplo numa das cenas em que tenho um confronto com a outra personagem feminina que é para mim das cenas mais difíceis de fazer, o que eu queria era desfazê-la… mas não o posso fazer. Eu queria ir a correr, gritar, mas não o faço porque tenho de manter a postura e há que jogar com o vai, não vai… e sempre manter a minha estabilidade, o meu bom senso, até porque ela no fim de contas é uma senhora e nunca perde a sua postura. Mesmo quando já está quase a estalar o verniz, ela recompõe-se e isso é fantástico e dá um gozo imenso. Fazer esta personagem é estar constantemente no fio da navalha. Penso que a cena onde ela mais se emociona é na altura das separações, porque aí é mesmo uma confusão total na sua cabeça, porque é uma coisa íntima. Quando ela está em casa é quando ela está mais crua. Sem dúvida esta personagem é um desafio enorme e isso dá-me um grande prazer e um gozo enorme. Espero que desfrutem da peça, que nós iremos dar o nosso melhor”.

sara-matosAlice é a personagem interpretada pela Actriz Sara Matos, que é possível ver também na pele de Vera na novela da TVI “Anjo Meu”, e foi com ela que também falámos um pouco acerca desta peça e da sua personagem. “A Alice é uma pessoa que mente muito, e a única altura em que ela não mente, acham que ela está mesmo a mentir. Posso dizer que fazer esta personagem é um grande desafio para mim e espero que corra tudo pelo melhor. O trabalho com os colegas foi muito importante. O João já conhecia, o Renato também já tinha trabalhado com ele. A única pessoa que não conhecia em termos de trabalho era a Paula, mas sem dúvida eles são óptimos colegas e criou-se uma grande cumplicidade e penso que isso é uma das coisas que me vai ajudar muito no dia da estreia. Existe uma grande união entre nós, e tenho a certeza que isso me vai ajudar nos cinco minutos antes de entrarmos no palco, porque sabemos que vamos todos ali na prossecução de um mesmo objectivo”.

Social media & sharing icons powered by UltimatelySocial
Instagram