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Não mais voltarei a chorar…

David Bowie (1947-2016)

BowieA lenda, o legado, o humano… Não há forma correcta de descrever choque e profunda consternação com que na manhã de hoje o mundo acordou.
Como um murro no estômago, engolimos em seco a notícia que não queremos assumir como uma verdade absoluta, irrefutável e sem eufemismos.

É isso mesmo, David Bowie deixa-nos aos 69 anos, três dias após os ter completado e lançado o aclamado e não menos ousado “Blackstar”.
Não esperávamos outra coisa de Bowie – uma destemida viagem ao universo do jazz que desconstrói o seu património na música e recria uma viagem de texturas atmosféricas e alguns ensaios instrumentais, patenteando como sempre a sua marca de génio no ADN das suas composições.

Não me recordo de ter acontecido. Na verdade nunca aconteceu verter uma só lágrima pelo desaparecimento de um ícone da música. Podia ter sido com Amy Winehouse, mas não produziu um efeito corrosivo de profunda consternação e tristeza.

Com Bowie tudo se altera, como uma espécie de tsunami mental que se abate nas nossas almas e nos deixa numa primeira instância num estado de letargia mas que no segundo imediato nos traz à realidade uma ressaca e que ridiculamente nos faz chorar sem conseguirmos justificar muito bem as motivações de tal tristeza.

Como pode um ser tão distante, tão intocável, tão qualquer coisa… estranhamente nos tocar desta forma? Quiçá porque ele foi, é e será um ícone incontornável da cultura pop, que marcou gerações e fez história.
Icónico e controverso são adjectivos a que nos habituamos a catalogar Bowie. Um camaleão feroz que no tempo em que ele próprio definiu, como ser o seu tempo, nos deixa numa quase orfandade que é transversal a todos os géneros.

As homenagens multiplicam-se e confundem-se com a perplexidade e transtorno a que notícias como esta são capazes de dilacerar os fãs e companheiros de profissão.
Em boa verdade sinto uma certa vergonha de publicar estes sentimentos tão frágeis por algo que numa primeira análise aparenta ser básico e superficial. Mas não o é!

Quem gosta de música, quem vive para a música, quem se encanta ou deslumbra com a música ou quem simplesmente vibra no seu íntimo para a música, sabe do que falo. A tristeza que nos assombra por vermos o melhor entre os melhores da música a deixar-nos assim sem aviso, deixa uma dor quase tão grande quanto a partida de um ente familiar. Falo nesse sentimento sofrido e irremediavelmente inconsolável… falo da morte de David Bowie.

Deste testemunho registo ainda o génio literário, o génio iconográfico, cinematográfico, o músico apolítico mas interventivo e o marco de influências na pop.

Se hoje temos uma Madonna, um Marilyn Manson, um Iggy Pop ou todo um sem número de artistas do rock e da pop, a sua influência e glamour está tatuada na carreira destas personalidades.
O glam rock, o rock, a pop e NÓS, demoraremos uns bons anos a recuperar desta facada que a vida nos deu, nesta conquista onde um desconhecido Deus leva a melhor e senta ao seu lado um postulado de criatividade sem fim.

Até sempre, Bowie.

IMDB David Bowie

Fotos: davidbowie.com

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