Entrevista JD
| Os Clark são uma banda oriunda de Lisboa e que iniciaram o seu percurso musical em 1994, com o nome de Taxi Driver. Em 2014 lançam o seu terceiro álbum, “Bipolar” que conta com 10 temas (8 cantados em português e dois em inglês).
O Jornal Dínamo® entrevistou o vocalista, João Alexandre, para saber um pouco mais sobre os Clark e sobre este novo trabalho “Bipolar”.
J.D. – Fala-me um pouco de como surgiram os Clark?
Clark (J.A.) – Os nossos primeiros acordes juntos aconteceram por volta de 1994/1995, numa cave escura de um prédio na Urbanização da Portela, uma urbanização típica de classe média, local de fronteiras entre a urbana Lisboa e o subúrbio da Portela, Loures, onde 4 jovens, estudantes, com tempo livre, interesses e gostos musicais mais ou menos semelhantes se juntaram com o objectivo de fazer música e a apresentar ao vivo.
Sob o nome de Taxi Driver a banda realizou uma primeira maquete em 1995, no antigo Estúdio da Valentim de Carvalho com a produção de Paulo Abelho.
Em 1996 acabámos por assinar um contrato com a EMI depois de termos sido disputados por diversas editoras. Desse contrato resultou a gravação e edição do nosso primeiro trabalho, já em 1998 sob o nome de Inocentes, com algum sucesso mas que não foi potenciado nem aproveitado com culpas para ambas as partes, cremos nós.
Daí que em 2000 tenhamos acordado uma rescisão e quase de seguida assinado pela Som Livre da qual resultou a edição de um novo disco “Sombra da Lua” já com o nome de Clark.
Este é o percurso até chegarmos aos Clark mas basicamente a formação da banda manteve-se ao longo destes anos.
J.D. – Porquê a escolha de gravar num ambiente totalmente rural? Ou simplesmente aconteceu assim?
Clark (J.A.) – Primeiro por ser em ambiente rural, na zona da Lezíria de Benavente, onde temos um estúdio próprio com condições físicas e técnicas para fazer o nosso trabalho de forma autónoma.
Depois porque a própria serenidade e ambiente do local funciona como contraponto e equilíbrio ao reboliço diário de Lisboa onde passamos a maior parte do tempo. Até nesse aspecto julgamos que “Bipolar” identifica de forma adequada estes dois pontos antagónicos e tão presentes no espírito da banda e das nossas canções.
J.D. – São 10 temas, 8 cantados em Português e 2 em inglês. Existe uma ligação entre todas as músicas?
Clark (J.A.) – Existe uma ligação porque tratam de sentimentos e emoções mas abordadas de forma diversificada que são fruto talvez das tais vivências quase opostas que experienciamos e igualmente da nossa própria vontade em dar cores diferentes às nossas músicas ao longo do álbum, sem perder a nossa matriz e identidade sonora.
Não é contudo um álbum conceptual nem foi essa a nossa pretensão.
J.D. – Fala-me da escolha de Nuno Roque para a produção deste álbum?
Clark (J.A.) – Tentámos aproveitar ao máximo o facto de ter como produtor Nuno Roque, que tem uma visão global da música, pois também ele foi músico conhecendo o palco e tendo igualmente já efectuado trabalho de estúdio com artistas nacionais e internacionais.
O Nuno é um produtor experiente como já referimos, conhecedor, competente na gravação e nas ideias e ajudou a dar forma a alguns temas e a impulsionar um “boost” noutros, extraindo eventualmente o essencial e limpando o acessório das canções.
Precisávamos dessa visão e ouvidos neste trabalho, e é importante poder ter o contributo de uma pessoa assim.
J.D. – Sei que deram um concerto no Cinema São Jorge, onde tiveram casa cheia. Fala-me da reacção das pessoas a este novo trabalho?
Clark (J.A.) – De facto escolhemos o cinema São Jorge para apresentar “Bipolar”. É um espaço acolhedor e com boas condições técnicas para este tipo de evento e a reação do público que deixou a sala muito bem composta foi excelente, inspiradora e gratificante.
Confirmámos nesse dia que “Bipolar” tinha “pernas para andar” definitivamente.
De resto, a reacção das pessoas em geral a este álbum tem sido muito positiva, expressa nos concertos e naquilo que nos é dirigido nomeadamente nas redes sociais, nos nossos espaços Facebook, YouTube ou no canal Farol, a nossa editora.
As pessoas ficam igualmente surpreendidas com a qualidade das nossas canções e com o facto de a banda não ter uma maior exposição nos media. Daí que tenhamos investido muito na maior promoção possível deste disco através igualmente de entrevistas como esta para o Jornal Dínamo®.
J.D. – As vossas influências são um pop rock misturado com música indie. Quando se está num processo de criação geralmente temos influências que depois se transformam numa sonoridade final. No vosso caso, como acontece o vosso processo de criação e quais as vossas maiores influências?
Clark (J.A.) – O processo de criação nos Clark não é estanque nem tem uma disciplina dura. As canções nascem muitas vezes a partir de uma ideia/melodia que pode até ser gravada para um telemóvel, ou de um pedaço de letra para desenvolvimento posterior. Depois na sala de ensaios desenvolvem-se essas ideias com um contributo de todos os elementos numa boa parte das vezes. Essas ideias podem mais ou menos inconscientemente surgir após o visionamento de um filme, a audição de uma música específica ou uma frase que escutamos na rua.
As nossas influências no que à música respeita são largas demais para as podermos incluir aqui. No entanto, na área do pop rock e derivados situam-se num toque mais indie por uma questão estética mas não se fechando por aí. Poderemos adiantar alguns nomes que são referências para a nossa música mas provavelmente se respondessemos mais tarde diríamos outros. Neste momento inspiram-nos os Arcade Fire, Elbow, Suede, Radiohead, Joy Division, e os Chameleons.
J.D. – O facto de terem duas músicas, que são banda sonora de novelas portuguesas, como “Peculiar” que passa na novela “Jardins Proíbidos” e “Brilho Assassino” em “Mulheres”, é algo importante para os Clark?
Clark (J.A.) – Para os Clark é importante a divulgação em programas de grande audiência.
Nós queremos chegar a mais pessoas e que mais pessoas nos escutem.
Os tempos de pudores, relativamente à colagem de artistas a novelas, já lá vão. Passar nas rádios generalistas com cobertura nacional é um privilégio que não é para todos e os programas de música na TV não abundam propriamente, então porque não nas novelas?
J.D. – Falando agora de concertos, diz-me onde será possível ouvir os “Clark” ao vivo?
Clark (J.A.) – Os Clark são uma banda que se realiza com concertos ao vivo. São a nossa “praia”, onde nos sentimos bem e onde encenamos os nossos argumentos que são as nossas canções, a nossa interpretação e a interação com o público.
Estamos ainda numa fase promocional, uma vez que o disco foi fisicamente editado já em 2014 e que foi bem preenchida com apresentações ao vivo nos meses de Maio e Junho.
A nossa editora Farol Música tem feito um trabalho importante e revelado grande empenho no sentido de apresentar o álbum aos diferentes meios tendo alcançado alguns resultados de realce.
No entanto há muitas barreiras, preconceitos e resistências para abrir portas a artistas com um passado não muito visível e isso também se reflete na contratação para concertos.
Estamos em busca de um agenciamento que poderá de certa forma contornar estas dificuldades. Portanto não temos de momento datas confirmadas, apenas hipóteses que serão reveladas ao Jornal Dínamo, logo que estejam certas.
J.D. – A terminar, faço a pergunta com que habitualmente gostamos de terminar as nossas entrevistas. O que gostarias de dizer, a quem possa vir a ler esta entrevista?
Clark (J.A.) – Que despendam de 5 minutos para espreitar e escutar os nossos espaços atrás referidos. Os Clark fazem canções para “mexer” e tocar as pessoas. Obrigado!
O Jornal Dínamo® agradece a disponibilidade dos Clark, na pessoa do Vocalista João Alexandre para a realização desta entrevista e agradece igualmente à Farol Música a possibilidade de a realizar.
Fotos: Farol Música



