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David Fonseca, Artista

J.D. – Fala-me de um Clube que está a dar que falar. Penso que todas as pessoas que te conhecem bem e conhecem o teu trabalho, sabem da adoração que tens por gatos. É por isso que deste o nome de “Amazing Cats” ao teu clube de fãs?

D.F. – Eu para dizer a verdade não sou muito a favor da palavra fã… essa palavra sempre me foi muito estranha. Acho que acima de tudo é o meu clube. A ideia foi muito simples. Percebemos a certa altura (eu e a minha equipa) que havia muitas pessoas que nos seguiam com muito mais atenção do que outras, porque por norma mesmo quando se tem muita gente à nossa volta há sempre alguém que tem muito mais atenção ao projecto. E então pensámos que tinha alguma lógica, darmos alguma preferência em algumas coisas a essas pessoas. Criámos então este clube que é uma maneira de as pessoas terem (tal como acontece em muitos clubes) uma assinatura anual e essa assinatura depois dar direito a um determinado número de coisas, como acessos específicos a concertos, descontos também nos concertos, no Natal têm um CD que é exclusivo para eles com canções exclusivas, têm acesso a passatempos que mais ninguém tem. Ainda há pouco tempo, por exemplo, fizemos um passatempo que era passar um dia inteiro na estrada connosco. Isto são tudo coisas que fazemos para quem efectivamente gosta de estar mais perto do projecto e então acabámos por fazer este clube que permite às pessoas esse contacto mais próximo.

J.D. – Para quem ainda não souber, explica-nos como é que poderão ser fãs do clube e sei também que podem beneficiar de algumas vantagens com a edição do “Seasons – Falling”?

D.F. – Quando compram um dos meus três últimos discos, têm logo um desconto imediato se fizerem parte desse clube. Para saber mais alguma coisa sobre o clube, é só ir ao meu website, que está lá tudo explicado.

J.D. – Continuas também a incluir sempre a fotografia e a ilustração, que são também da tua autoria e que fazem parte da tua área de formação. Como consegues coordenar, a composição, o cantar, com a fotografia, e a ilustração. É um trabalho que fazes a par e par ou cada parte surge na sua própria altura?

D.F. – Muito mal (risos) … Neste disco especialmente a certa altura eu achei que era interessante (visto que o disco era feito num diário musical) que todo o design do disco tivesse também um aspecto de um diário, tal como ele é referido na música. O problema é que dar isso a fazer a um designer (por mais que ele seja talentoso), nunca seria ele próprio a fazer o diário … ou seja seria sempre o diário de outra pessoa, por isso não tive outro remédio se não eu próprio fazer o diário(risos), que não estava no programa, porque estava todo esquematizado em calendário. Então eu literalmente tanto num disco como no outro tirei cinco ou seis dias só para fazer o design e fui fazendo por partes. Eu na minha vida faço geralmente tudo por vagas, do género, tiro 15 dias e trabalho no disco, depois outros tês dias trabalho no design, e noutros quatro dias trabalho na fotografia e tento fazer as coisas assim porque é a única forma que tenho de conjugar tudo. Agora neste momento vou ter também uma exposição nos Encontros de Fotografia de Braga, terei ainda este ano um livro que vai sair de polaroids… enfim vou fazendo umas quantas coisas… mas pronto eu durmo muito pouco (risos) como estou sempre a dizer e é muito estranho para mim não usar esse tempo em coisas que não sejam minimamente criativas. Eu por exemplo gosto de ver filmes como outra pessoa qualquer, gosto de ir à praia entre outras coisas, mas a verdade é que prefiro usar o tempo para gerar coisas que depois ficam… não desaparecem e que não deixam nada para além da nossa memória… ok também é bom isso acontecer, mas eu por norma tenho a tentação de fazer das coisas algo que depois se possam mostrar. E assim surgem, dois discos, uma Exposição de Fotografia em Braga e um Livro, que é o que resulta de um ano longo de trabalho.

J.D. – O ano passado juntaste-te à Associação Fonográfica Portuguesa. Qual será no teu entender a melhor forma de combater a pirataria na Internet?

david-fonseca-4-by-paulo-segadesD.F. – No meu entender, a legislação. Acho que era isso que tinha que mudar, ou seja criar uma legislação que falasse da pirataria, onde estivesse disposto o que ela é, o que é o download ilegal, como se pune ou como não se pune. Para dizer a verdade não me interessa nada perseguir as pessoas que fazem downloads ilegais, isso seria um disparate total. A mim interessa-me que as pessoas entendam de uma vez por todas que o downloadilegal é aquilo que vai fazer num curto espaço de tempo, fazer desaparecer o sangue novo da música portuguesa. É impressionante o número de projectos portugueses interessantes que não têm espaço para sair da linha de partida e eu acho que isso acontece porque o público que os devia estar a apoiar, faz isso da pior forma que é através do download ilegal e por mais que os miúdos defendam que é melhor ser ouvido do que não ser, eu discordo por completo. Se querem apoiar as bandas que gostam têm que de alguma forma dar-lhes algum valor e falo inclusive de valor financeiro, porque se não for assim não há hipótese nenhuma de elas virem a fazer disso profissão. A visão de que a música é um part-time tem de desaparecer por completo. A música é uma profissão como outra qualquer. Há quem escolha ser violinista ou violoncelista por exemplo e há quem escolha estar a fazer música pop rock ou ser fadista… isso também é uma profissão. E só há uma maneira de o fazer bem… é fazê-lo a tempo inteiro e sistematicamente. A ideia de que podemos olhar para os músicos de uma forma desprendida e de que eles não precisam é uma parvoíce completa… então para quem começa é mesmo muito complicado. Um miúdo que começa hoje e que aposta tudo o que tem e não tem num disco… vai para um estúdio de gravação durante dois dias (que não é uma fortuna), mas que para ele pode ser muito dinheiro e que de repente tenta fazer disso uma profissão nem que seja por três meses é uma coisa literalmente impossível. Não há quase ninguém que diga que gosta de um disco e que o vá comprar especialmente se for novo. Eu conheço pessoas que tem cerca de 22, 23 anos que (porque não viveram num meio que se tem de comprar discos), o último disco que compraram tinham para aí uns 13 e são fervorosos ouvintes de música mas não a compram … isso para mim não faz qualquer sentido. Não é possível que uma coisa tão importante na sua vida não tenha qualquer valor.

J.D. – Penso que já tens algum calendário de por onde vais andar a mostrar o “Seasons – Falling”?

D.F. – Sim, já tenho. No dia em que sai o disco, dia 21 deste mês, vou estar em Cáceres num Festival chamado “Europa-Sul” e que engloba vários artistas, portugueses, espanhóis e outros vindos de outras partes da Europa. É um festival muito interessante e este ano eles convidaram-me para lá estar. O ano passado ofereceram-me um prémio e consideram-me um dos melhores artistas europeus (foram sem dúvida muito gentis). Nós temos feito um trabalho muito grande em Espanha e a música vai começando a ter alguma repercussão. Neste momento já conseguimos fazer alguns concertos em Barcelona e Madrid e encher os espaços. É um trabalho longo mas que vale muito a pena. A seguir volto para Portugal e vamos começar a tournée no Centro Cultural Olga Cadaval, em Sintra, dia 28 e no Theatro Circo em Braga no dia 29. Outubro, Novembro e inícios de Dezembro vamos andar em digressão pelo país inteiro.

J.D. – Para finalizar, pedia-te que deixasses umas palavras para quem possa vir a ler esta entrevista.

D.F. – A mensagem é simples: Apoiem a música portuguesa de alguma forma. Vão aos concertos das pessoas que gostam, saíam de casa, não se inibam, porque os concertos também não são assim tão caros, quanto as pessoas pensam que são. Penso que há muito poucas coisas que possam substituir um concerto. Estar num concerto com outras pessoas a viver o momento com músicos a tocar à nossa frente, pode ser um momento único. Gostava muito de ver cada vez mais os artistas novos a terem mais público, curiosos de saber o que é que eles estão a fazer. Por isso o meu apelo é esse mesmo. Vão ouvir, gostem… odeiem…, mas experimentem simplesmente… participem naquela que é a nossa cultura.

O Disco “Seasons – Falling” é lançado amanhã dia 21 de Setembro de 2012.

O Jornal Dínamo® agradece ao Artista David Fonseca e à Universal Music Portugal a possibilidade de realizar esta entrevista.

Fotos: Paulo Segadães cedidas por Universal Music Portugal
Video: Pedro Filipe

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