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Câmara Imóvel, Realidade Móvel

Hernâni Duarte Maria

Foto: João Marco

As crónicas que irei escrever para o Jornal Dínamo® serão objectivas e directas, tendo como objectivo principal falar sobre o cinema em geral e sobretudo canalizar o debate sobre o cinema nacional, os seus realizadores, os filmes, actores, argumentistas, etc., colocando todos os envolvidos num patamar de igualdade, que nem sempre existe. Na minha opinião e a bem da verdade, o cinema é universal, ora portanto todos os elementos, pessoas ligadas à 7ª arte tem de ter o seu espaço e referência, e aqui o terão.

O título desta primeira crónica tem como objectivo, digamos assim, fazer um historial do percurso do cinema centralizado num dos grandes cineastas — Charlie Chaplin. Isto não quer dizer que outros não sejam importantes e fulcrais para evolução do próprio cinema, mas Chaplin diria eu é um caso particular e especial no cinema mundial.

Sergei Eisenstein disse “…quando vemos um filme, somos espectadores passivos, conduzidos pelo olhar do realizador, por imagens que se movem…”

Ora aqui está um dos objectivos essenciais do cinema. Mostrar os filmes naquelas salas escuras aos espectadores e ao público, fazendo-o através do olhar do realizador, da sua objectiva, no contar as histórias sejam elas quais forem, mas mostrando os seus filmes ao público, pois ele é o mais importante crítico de cinema que existe. As suas opiniões são essenciais, e um realizador que não sente, e não acha relevantes as opiniões do público é um realizador sem visão.

Câmara imóvel, realidade móvel. Este título leva-nos aos primórdios do cinema, quando apareceram os primeiros registos de movimento das imagens.
O que tínhamos era somente o plano estático sem movimentação e imagens em movimento. Esta realidade demonstrou que as novas tecnologias em evolução, teriam um grande impacto na nova sociedade que emergia da revolução industrial. A mecanização do trabalho e as máquinas, deram um novo alento ao Homem industrial, e neste campo o cinema teve grande importância.

Para o público seria de facto assustador e até diria um embuste, estar numa sala escura, cheia de fumo e burburinhos, a olhar para uma tela onde se vê pessoas e objectos a movimentar-se. Nem imagino qual foi a reacção nos finais do século XIX e inícios do século XX ao verem as ditas imagens.

Um público passivo sentado nas cadeiras cheias de mofo, em salas improvisadas, com ruídos e fumo, a verem imagens projectadas numa tela, imagens essas em movimento. Algo que poderia ser conotado com o inferno, algo diabólico.
Mas esta é a essência do cinema, filmar, obter os fotogramas, imagens coladas em imagens e dar-lhes uma sequência. Movimento. E temos o público estático, imóvel, contemplando o resultado final do que foi filmado.

Então entramos no que referi anteriormente… Chaplin.

Irei directo ao assunto. “The Gold Rush”, “The Circus”, “City Lights”, “Modern Times”, “The Great Dictator”, “Limelight”, são alguns dos momentos mais humanos e poéticos da História do Cinema. A dança dos pães na solidão de Ano Novo em “The Gold Rush”, o final de “The Circus”, quando o vagabundo, rejeitado pela equilibrista, dobra a estrela de papel e chuta-a com o calcanhar, e em “City Lights”, o inesquecível close do sorriso amargurado do vagabundo com a rosa nos lábios, que marca o ápice da arte cinematográfica e teatral de Chaplin. Depois temos o culminar num filme essencial na história do cinema, “Limelight”, e recorro à frase de André Bazin, “é uma meditação shakesperiana sobre a velhice e a juventude, o teatro e a vida“.
Nesta frase reside a essência do cinema de Chaplin. Meditação, velhice, juventude, teatro e vida. Todos estes elementos são de facto essenciais para a construção de um filme, quer ele seja introspectivo, dramático ou de outro qualquer género. O que realmente interessa é que o filme tenha impacto no público passivo, estático numa sala escura e que consiga despertar os seus sentimentos e emoções.

Esta abordagem instantânea que fiz sobre a obra de Chaplin, é isso mesmo. Um instante, pois o cinema é feito de instantes, de imagens, emoções, personagens, e tudo isto em sequência.
No final teremos um público mais activo e emotivo.
A essência de Chaplin reside neste cerne, na emotividade… e o Cinema é emoção.

 

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