Cantar, Adorar e Sonhar!
Se banda há, capaz de causar arrepios e pôr os ossos a ranger nas múltiplas sensações que a música é capaz de provocar no ser humano, Slowdive são uma resposta mais do que óbvia.
Os britânicos e pioneiros do shoegazing (para quem não sabe é um estilo de rock alternativo, oriundo da Inglaterra do Sul nos finais da década de 80, caracterizado por ser um som introspectivo, onde as bandas entravam numa dimensão alheada da realidade, sem absoluta preocupação com a prestação) trouxeram ao Palco Super Bock o que eu posso considerar um espectáculo contemplativo, cerimonial e hipnótico.
Sim, é verdade! Chorei, cantei, sonhei, arrepiei-me e até fui o mais egoísta dos espectadores que assistia ao concerto numa fila da frente sem qualquer obstáculo e em sincera opinião, sem me importar com o restante público.
Era eu e os Slowdive, na mais profunda simbiose que qualquer ser humano, pode ter ao ver uma das suas bandas de eleição.
Porque os banquetes são servidos de boa música e bom vinho, a abrir a actuação serviu-se logo uma das melhores reservas, de 1991, o tema “Slowdive” do trabalho de estúdio “Just for a day”, seguindo-se “Avalyn” e “Catch the breeze”.
Eu já clamava aos céus para que este concerto não terminasse, ao meu lado uma francesa, de seu nome Aurora, que mais tarde viria a conhecer (em conjunto com o marido) chorava e o público estava completamente arrebatado pelo encantamento que estávamos a sentir na pele.
E porque há muita história e muito obra para contar, os Slowdive foram impiedosos e asseguraram um concerto que atravessou na generalidade a sua carreira. Temas como “Crazy For You”, “Machine Gun”, “Blue Skied and clear” do álbum “Pygmalio (1995) foram servidos com mestria e a resposta do público foi uma profunda contemplação.
Sucederam-se “Souvlaki”, “When the sun hits”, o majestoso “Alyson” que o público devorou com uma gula capital, “Mourningrise” e para fechar, a cereja no topo do bolo, “She calls” e “Golden Hair”.
Por muitos adjectivos que sejam utilizados para caracterizar a actuação da banda na sua passagem pelo Palco Super Bock do NOS Primavera Sound, nunca serão suficientes para descrever a magnitude e a magia vivida.
De uma honestidade sonora, confesso, fui transportado para uma atmosférica melancolia que tenho ainda dificuldade em descrever, mas sem receios de admitir ser um dos melhores concertos que assisti até hoje.
A escola do Rock dos anos 80/90
Equilibradas as emoções do concerto dos Slowdive, era tempo para os norte-americanos Pixies.
A mítica banda de rock da segunda metade da década de 80 e início da 90 do século passado, liderada por Black Francis, foram os cabeça de cartaz do segundo dia do Primavera Sound e eram aguardados por mais de 20 mil fãs no Palco NOS.
Devo antes de mais declarar que as minhas preferências não tendem muito para efusivas manifestações de amor pelos Pixies. Calma, não é nenhum crime! meramente admito que gostos não se discutem e não serei eu a martirizar-me porque não tenho na minha set list a banda como eleição. Não sendo contudo um ouvinte que ignora um marco do rock alternativo, posicionei-me num sítio confortável para apreciar a actuação.
Temas marcantes da carreira como “Here Comes Your Man”, “My Velouria”, “Debaser”, “Monkey Gone to Heaven” “Gouge Away” foram revisitados pela banda que deliciou os fãs mais acérrimos e satisfez os críticos.
Por esta altura haviam actuado no Palco ATP os canadianos Godspeed You! Black Emperor (carinhosamente apelidados pelos fãs como GY!BE), que infelizmente não tive oportunidade de assistir por actuarem à mesma hora dos Pixies.
Tempo para sonoridades electrónicas
Já a noite ia longa e muitos dos festivaleiros estavam animados e reunidos no Palco Super Bock para receber o rei da música electrónica no Primavera Sound, o dinamarquês Trentemøller, que foi ovacionado pelo público que já aguardava debaixo de um frio que já se fazia sentir.
Criador de um som que aglutina o indie e a electrónica, Trentemøller tem sido aplaudido pela crítica ao criar um som que desafia as leis da estática e desenha sons híbridos e ecléticos que viajam entre indie e post-punk, num experimentalismo progressivo de louvar.
Para os que quiseram dançar e vibrar com Trentemøller, temas como “River of Life (feat. Ghost Society) entre outros, foram basilares nesta ultima actuação da noite no Palco Super Bock.
A encerrar o segundo dia de festival no Palco NOS, os Mogway fizeram as honras da casa com uma revista aos temas do início de carreira e mais recentes, com destaque para “Remurdered”, “Master Card”, “I´m Jim Morrison, I´m Dead”, entre outros.
Fonte: Luís Manuel Pontes
Fotos: Hugo Lima – NOS Primavera Sound
Agradecimentos: PIC-NIC Produções / NOS (Luís Gomes e Barbara Carvalhosa)






