Sónia Adonis Jewellery
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NOS Primavera Sound | Dia 1

Já eram umas 19H40, quando por esta altura, já se afinavam guitarras e faziam-se ensaios com a percussão e sintetizadores para que com pontualidade britânica subissem ao palco NOS, os norte-americanos Spoon.

Oriundos dos Estados Unidos e formados na década de 90, os Spoon, pautaram-se por um conceito pop efervescente, com destaque para alguns temas que inevitavelmente se tornaram hinos da banda.
Numa prestação animada em que correram alguns originais dos sete álbuns de carreira, arrepiaram caminho com “Don´t You Evah” do trabalho de estúdio “Ga Ga Ga Ga Ga”, passando por temas de um pop açucarado e bem mais conhecidos, como “I turn my camera on”, The way we get back”, ”Small stakes” ou “Underdog”.
A prestação em termos técnicos e vocais foi muito bem conseguida, não desiludindo mas também não surpreendendo.

A uma velocidade de cruzeiro, o primeiro dia já caminhava para uma noite que viria a ser um pouco ventosa quando pelas 20H40, subiu ao palco a mais recente coqueluche da pop norte-americana, Sky Ferreira, que se estreou em solo nacional.
A luso descendente, que talvez pelo facto de desde nova conhecer bem as luzes da ribalta (recorde-se que Sky Ferreira é uma das manequins mais requisitadas pelas marcas internacionais e é presença assídua em editoriais de moda, das mais variadas revistas da especialidade), tem sido catalogada pelos media internacionais como uma menina rebelde, com dotes para a música, com um percurso conturbado, que feliz ou infelizmente fascina adolescentes e em Portugal não é excepção.

Ainda a nova dama de um glam pop mesclado com alguma electrónica, não tinha subido ao palco e já se ouvia pontualmente gritos de uma histeria moderada, característicos de artistas mainstream, a entoar o nome da artista –  “SKYYYYYYYY”.

Sky Ferreira tem sido uma promessa adiada da pop mundial, sendo que desde de tenra idade a música não lhe é alheia, tendo mantido contacto próximo com Michael Jackson, que viria a ser o seu orixá.
Sky iniciou a sua carreira, através das redes sociais, onde manteve desde muito cedo o perfil no MySpace activo, lançando demos, que acabaria por despertar a atenção da dupla sueca Bloodshy&Avant.
Com o EP “Everything is Embarassing” lançado em 2012, foi considerada uma das grandes revelações do ano e o single um dos melhores de 2012 pelo New York Times, motivos mais que suficientes para que no ano seguinte, editasse o primeiro álbum de estreia “Night time, My time” que naturalmente foi o mote para a sua actuação no Palco Super Bock do Primavera Sound 2014.

Os primeiros minutos da entrada em palco não foram os mais satisfatórios, alegadamente por problemas técnicos com a cabine de som que a artista reclamava mas depois de oleados, “24 Hours” começou por arrancar os primeiros refrões vindos do público (o tema em questão remete-nos para a banda sonora ao estilo da série “Gossip Girl”).

Sucede-se um Jesus japonês, denominado por “Omanko” e um desbobinar de temas do primeiro trabalho, com destaque para “I Blame Myself”, “Heavy Metal Heart”, e “Boys”, tendo feito pelo meio uma visita ao tema do seu primeiro EP “Lost in my bedroom” e a encerrar os mais interessantes e orgânicos “Everything is Embarassing” e “You´re not the one”.

Na generalidade a artista é competente no que respeita à sua actuação musical, não existindo grandes gaps para os temas em estúdio vs ao vivo. No entanto existem arestas por limar e bastantes problemas de empatia com um público que estava mais sedento de Sky Ferreira.
Timidez, género ou identidade por encontrar, Sky não é uma artista que encha um palco e tem um longo trabalho de casa para fazer de forma a emocionar o público nas suas actuações ao vivo, tendo ficado a sensação de que a prestação poderia ser encorpada por uma atitude mais de artista e não de discípula de um banal “I don´t give a damn”.
Quiçá o facto de Sky Ferreira ter vindo fazer as primeiras partes dos concertos da artista e amiga, Miley Cyrus, criem nela tarimba suficiente para poder proporcionar um espectáculo que justifique os gritos histéricos dos fãs.

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