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Blind Zero

Entrevista

Os Blind Zero, dispensam apresentações, afinal é uma das bandas que faz parte do panorama musical português, mas também conhecido para além deste nosso país à beira mar plantado.
Ímpares nas suas músicas, lançaram o ano passado “Often Trees” que faz jus à sua condição de individualidade, de carisma e de constante reinvenção.
O Jornal Dínamo®, teve o prazer de conversar com Vasco Espinheira um dos membros da Banda, que nos falou de música, de emoções, de emotividade e de como fazer música continua a ser um prazer tão grande tanto hoje, como ontem. A comemorar 24 anos de carreira, irão encerrar a sua Tour “Often Trees” no Cineteatro “Capitólio”, em Lisboa, dia 8 de Novembro.
Esperamos que fiquem a conhecer um pouco melhor esta banda, através de uma conversa, séria, divertida, intimista e com algumas coincidências pelo meio.

J.D. – Este trabalho “Often Trees” é um trabalho que nos envolve numa atmosfera repleta de mistério? Fala-me um pouco acerca de como foi pensado?

V.E. – O “Often Trees” é um disco que apesar da sua densidade e de ser um disco sombrio, tem uma dinâmica muito própria. Tivemos a preocupação, que as músicas deste trabalho, não fossem enclausuradas dentro daquelas estruturas clássicas de canção, estrofe/refrão ou que tivessem 3 minutos e meio. As canções tinham sim, que ter o tempo que precisavam de ter, as canções precisavam daquilo que nós dizemos de “respirar” e de ter uma dinâmica muito própria, a qual já referi mais acima. A dinâmica aqui, foi quase essencial para poder fazer com que as pessoas fizessem uma viagem e conseguissem entrar dentro deste universo. É importantíssimo que as pessoas quando ouvirem as músicas, se sintam estimuladas para diferentes sensações. Uma música pode ser sombria e densa e no momento seguinte até quase de uma forma inesperada, entrar numa parte mais espacial, psicadélica, bela ou mesmo dura em contraste. Os ambientes têm de contrastar uns com os outros, sempre com o sentido de ajudar a contar uma história e situar-nos no ambiente, quase como se fosse o décor de um filme, para ajudar a enquadrar os diálogos. Esta foi a nossa vontade, para conseguirmos criar esta relação com as pessoas no “Often Trees”. Além do mais nas canções deste trabalho, quisemos também que elas tivessem diversas camadas, ou seja escolher o som certo, no momento certo, mesmo que isso implicasse passar dias ao computador ou nos instrumentos, sintetizadores ou nas guitarras, a tentar descobrir qual o som certo para criar aquele ambiente que referi. Em suma foi um bocadinho um disco de laboratório, mas com uma base muito crua, muito “in your face”. Quanto ao mistério, eu concordo. É um disco de várias leituras, como por exemplo o sombrio num filme “noire” em diversas situações, também com explosões de luz e cor pelo meio, como uma forma de contraste. Mas esse lado do mistério julgo que enriquece o ambiente, onde as letras se enquadram. Além disso, este foi um disco, em que pela primeira vez o Nuxo Espinheira também escreveu algumas letras, de canções que ele tinha composto e isso ajudou muito também, a termos uma nova visão lírica sobre o próprio disco.

 

J.D. – Este trabalho fala também de mutação de caminhos na vossa música?

V.E. – Sim. Sim, porque considero a mutação como a necessidade de reinvenção, a vontade que se tem de tentar criar coisas diferentes, a não repetição das fórmulas e isso é uma das coisas que tem sido quase o nosso “Santo Graal”, pelo menos internamente, porque ao fim deste tempo todo, uma banda que não se consegue recriar e reinventar ou que não se consiga desafiar, é uma banda que infelizmente, se vai cansar e vai estar se calhar a repetir-se. A repetição nunca é uma coisa muito agradável e a repetição de fórmulas também não e é isso que pode começar a corroer o interior de uma banda. No nosso caso, quando avançamos para um disco novo, a primeira coisa que tentamos fazer é algo diferente do que fizemos no passado e especialmente diferente do que fizemos no disco anterior. Visto haver um desfasamento temporal entre os discos de um ou dois anos, pelo menos no nosso caso, vamos ouvindo muita música diferente e redescobrindo muitas coisas. Quando falo de música, posso também falar de filmes e de uma quantidade de coisas que vão acabar por influenciar a música que se faz e a verdade é que é essa vontade de querer mudar, de disco para disco e não ter medo de arriscar que faz sentido. No caso concreto dos Blind Zero, não temos medo de arriscar porque somos a nossa própria editora e ao fim de oito discos, já arriscámos muito. Eu só me iria arrepender se daqui a 20 anos olhasse para trás, por exemplo para o “Trigger” e achasse que não tínhamos arriscado ou que tínhamos cristalizado. Aí sim, ia sentir que não fazia sentido. A música tem que ser algo que faça sentido. Por isso esta mutação é quase como o ar que respiramos.

 

J.D. – Em relação à música “Lost In Another Mental Scape”. Esta foi uma das primeiras mostras deste trabalho porque espelha este novo estado de espírito? Perdido ou encontrado?

V.E. – Penso que o próprio título desta música, define um bocadinho aquilo que se passa neste disco, porque se virmos bem, para nós este é o nosso escape mental, é o nosso escape de criação. No momento em que entramos dentro do estúdio, numa sala de ensaios ou num palco para tocar e especialmente quando é para criar, há uma vontade enorme de tentarmos deixar fluir as nossas sensações com a música. Levamos o cérebro a entrar numa espiral de sensações, de pensamentos e harmonias e isso é que é interessante na música, tal como a capacidade de viajar e fazer as pessoas viajarem, através de diversas camadas da música, quando ela é rica. Ir-se descobrindo sons e melodias que nunca se ouviram e ligar a palavras que fazem sentido numa sequência e conseguem fazer situar uma pessoa em certas vivências, essa é a parte mais bonita de quem faz música. Nesse sentido adoramos estar perdidos e encontrarmo-nos, isto é, perdermo-nos na nossa música, na nossa arte e no longo processo criativo, que é aquilo que nos agrada (provavelmente se o processo criativo fosse rápido deixaria de ser tão interessante) e encontrarmo-nos na sensação incrível que temos de quando a música está terminada. A música pode agarrar uma pessoa de uma forma e outra de uma forma totalmente diferente. A mesma coisa pode ter várias leituras.

 

J.D. – A poesia sempre fez um pouco parte dos vossos trabalhos, espelhada nas letras das músicas. É importante que as letras passem mensagens importantes e significativas?

V.E. – Eu acho que a letra e a música são duas coisas que estão intimamente ligadas. Se a música for instrumental provavelmente também vai criar as mesmas sensações como se tivesse palavras e o oposto também é verdade. Se for uma música “à capella” ou mesmo um poema (e se calhar esse é o melhor exemplo), ele também faz viajar e emociona e é extremamente mental, como a música. Esta relação entre a música e as letras é essencial para passar mensagens. Muitas vezes não quer dizer que a mensagem tenha que ser panfletária ou quase como um grito de guerra ou de ordem, uma história vivida na primeira pessoa ou uma história inventada. Há uma liberdade enorme nos Blind Zero. Aliás, como referi este é o primeiro trabalho em que o Nuxo e também o Manuel tiveram os dois, letras no disco (costuma só ser o Miguel a fazer as letras). O Miguel, aliás, referia um dia destes que as letras “são um desafio muito grande para ele, quando escritas por outras pessoas”. E realmente são um desafio porque ele irá colocar vivências pessoais dele, em letras que têm a ver com vivências pessoais de outras pessoas. Tal como qualquer pessoa que ouve a letra, vai interpretá-la da sua forma. É muito importante que as letras passem mensagens, quer estas sejam descodificadas ou não, quer sejam directas ou mais indirectas. O importante é que passe alguma coisa ou alguma sensação para as pessoas.

 

J.D. – A edição deste vosso 8º trabalho, vai sair nos formatos, CD, K7, vinil e em formato digital. Consideram que ainda existem pessoas que gostam de comprar música nestes formatos?

V.E. – Para ser muito honesto, quando fizemos o “Often Trees”, quisemos utilizar vários formatos, por diversas razões completamente diferentes e distintas umas das outras. Na verdade, não tomámos estas decisões a pensar nas pessoas. Muitas vezes o processo criativo acaba por ser um processo “egoísta”, de nós para o nosso umbigo, dentro da nossa sala de ensaios e não se está a pensar se as pessoas vão comprar certos e determinados formatos. O que pensamos é no que é que faz sentido e o que é que nós queremos fazer e nos dá prazer. Penso que já estamos numa fase que podemos pensar assim. Sabemos, claro que o CD e o formato digital são os formatos mais normais e que o vinil é aquele formato quase romântico, aquele formato em que tem que haver um contacto muito directo com a música. A sensação de pegar num disco de vinil, limpá-lo e colocá-lo a tocar, é um acto mais contínuo e por exemplo não se terá a televisão ligada ou se estará a fazer algo mais do que a ouvir a música. No caso da K7, considero que ela é quase como um formato que eu particularmente acho extremamente interessante, porque é o oposto do formato digital. Hoje em dia, quando se ouve o formato digital há uma tendência global e gigante para se ouvir singles e não se ouvir álbuns. Ouvem-se canções e saltam-se outras músicas. Isto não é certo, nem é errado, é só outra maneira de ouvir música. Hoje em dia é mais fácil porque está no telemóvel, no computador… basta um clique e já se está a ouvir e muda-se de faixa muito rapidamente. No caso da K7, o que me fascina é precisamente a dificuldade que se tem, em poder andar a saltar de música em música, ou seja alterar a ordem lógica das coisas. Há um bom exemplo que é: se a música é igual a um filme e somos os realizadores e em cada cena há uma música, no formato digital é como se saltássemos cenas do filme ou seja intercalamos cenas de diversos filmes. Na K7 o que é muito interessante é que cria uma continuidade na própria audição, tal como no vinil, mas que no caso da K7 é ainda mais forçado e é mais difícil passar para a faixa seguinte. Normalmente os músicos quando terminam de gravar os discos, perdem imenso tempo, na sequência lógica das canções e a pensar na sua ordem, porque cada uma tem a sua posição no disco. Há várias razões para isso, algumas são sentimentais, outras técnicas, mas não deixa de ser um processo criativo. A K7 obriga a esse processo e tem também aquele romantismo. Nós crescemos com as K7´s. As primeiras músicas que ouvimos foram neste formato e nesse sentido quisemos que o “Often Trees”, fosse um trabalho que tivesse, esses formatos todos. Outra coisa boa, falando agora no formato do vinil e que nos agradou imenso, foi o facto de podermos ter a parte gráfica que é um trabalho artístico (que pouco tem a ver connosco, porque é o trabalho de outras pessoas), num formato ideal para ser visto. Este formato do vinil é de detalhe, com um recorte de arte e por isso é que quisemos este formato, não só pelo áudio mas também pela imagem.

BLIND ZERO_Often Trees@Frederico Martins

 

J.D. – O uso de equipamento analógico. Será que prediz que aquilo que foi usado no passado, casa plenamente com o mundo digital em que vivemos?

V.E. – Existe sempre este equilíbrio ou desequilíbrio entre o analógico e o digital e isso é perfeitamente normal. No caso musical, aquilo que nós procuramos quando usamos equipamento analógico ou o chamado equipamento vintage (ao fim de 20 anos de carreira todo o equipamento que temos desde o início já é vintage), mas no sentido lato da palavra, desde amplificadores, guitarra, efeitos, pés de efeitos, teclados e uma quantidade de material analógico, vintage e muito antigo é o facto da sonoridade ser diferente. As válvulas são diferentes do digital (tem uma sonoridade diferente) e isso, foi a forma que nós encontrámos para usar aquela base sólida. Imagina que este álbum é como uma árvore, e o “Often Trees” são as nossas eternas referências às árvores. A raiz deste trabalho é muito forte, muito dura e robusta e o equipamento analógico por exemplo nas guitarras e nos amplificadores e mesmo nos próprios sintetizadores, com aquele som duro e cru, era o som que nos agradava, para criar um som que soasse como se estivéssemos a tocar ao vivo. Isso é realmente aquilo que estivemos a fazer. Depois, o tronco pode-se dizer que são as próprias canções e a coerência entre elas. Por exemplo, falaste na atmosfera repleta de mistério e eu falei em intensidade e nas sombras e da dinâmica com a própria luz. As folhas são também elas um pouco as letras e a própria dinâmica que existe nos próprios ambientes, para criar aquela sequência de folhas quase psicadélicas de repetição e de ir para vários lados, passando por várias portas e pelas camadas. Por isso é que as árvores são algo que nos fascina, por terem esta identificação com a música que nós criamos.

 

J.D. – São 24 anos de carreira, com grandes e inegáveis sucessos. Existe uma fórmula para que uma banda se mantenha junta, durante duas décadas, quase e meia?

V.E. – Sim. Nós queremos acreditar que existimos há 2 anos ou 1 ano e tal, ou qualquer coisa do género. Queremos que a cada disco, a banda seja uma banda nova, com as mesmas pessoas, ou seja que haja aquela química de querer fazer coisas, mas sempre com aquela sensação de que estamos a fazer por exemplo um salto de budgie jumping, mas com a segurança do fio que nos segura. Tens o medo, tens o risco e todas as emoções, mas tens uma base bem sólida, que nos assegura que nada de mal nos vai acontecer. O facto de termos 24 anos de carreira, faz com que saibamos o que vamos fazer. Não existe novidade, nem surpresa em relação ao que irá acontecer no próprio processo. Mas há algo importante, que é o que vai surpreender, e vais querer fazer e isso é precisamente, o fazer diferente. De certeza que um escritor ao fim do seu terceiro ou quarto livro sabe perfeitamente o que vai fazer a seguir e que pode por exemplo continuar a ser um romance, no entanto a história vai ser outra seguramente. O importante, é que ele não tem medo do processo criativo e o mesmo acontece connosco. Nós não temos medo do processo criativo, porque o dominamos e conseguimos ao fim deste tempo todo, tirar o melhor proveito dele. A técnica não limita a nossa criatividade porque já sabemos o que vamos fazer e sabemos o que podemos experimentar. A cabeça está muito mais ginasticada e, portanto, está-se mais apto. É quase como um atleta de alta competição que tem um ritmo de treinos constante e o único objectivo dele é bater o recorde e ser cada vez melhor, mas mesmo que não ganhe é óbvio que vai fazer uma boa prestação e tem tudo para acontecer. Ele não vai ficar deslumbrado com nada, ele vai sim ter todos os instrumentos ou todas as ferramentas de trabalho, para conseguir dar o seu melhor. É isso que são para nós os 24 anos. Quanto aos sucessos, sim, houve alturas em que tivemos músicas que podem ter sido considerados sucessos, mas também tivemos alturas em que essas músicas não eram sucessos e isso é algo que ao fim de algum tempo interessa pouco, para ser muito sincero. Se quiséssemos fazer sucessos, se calhar íamos repetir a fórmula deles. Nós queremos é fazer aquilo que nos dá gozo e prazer. Se vai ser um sucesso ou não, isso vai depender das pessoas e da curva do seu gosto e se está em sintonia. Eu acho que não se devia controlar isso, porque quando se tenta controlar geralmente as coisas, correm mal e está-se mais preocupado em tentar remar contra a maré do que a ir para onde se quer. O que queremos é ir para onde queremos ir. Se a maré está a puxar para um lado ou para outro, isso é um pouco indiferente. Desde de que o que estejamos a fazer nos dê prazer, para fazer aquilo que nós gostamos, é óptimo. Ainda para mais, consideramo-nos uns privilegiados enormes, porque ao fim de 24 anos ainda temos pessoas que gostam daquilo que nós fazemos e se identificam com a nossa música e que não pararam no tempo connosco. Há umas que se vão aproximando, outras que se vão afastando, depois voltam a reencontrar-nos e outras novas vão aparecer. Penso que é esta honestidade de querermos fazer as coisas para nós, que faz com que existam pessoas que gostem daquilo que nós fazemos, porque acima de tudo é isso… é honesto. É bom olhar para trás e dizer que não estamos arrependidos daquilo que fizemos naquele ano, naquele disco, naquela canção que fazia todo o sentido como foi feita por nós. Podemos até já não gostar dela, mas naquela altura fez todo o sentido e isso é aquilo que nos pode deixar cheios de orgulho e deixar orgulhoso qualquer artista. Ou seja, o interessante e importante, é olhar para trás e identificarmo-nos com todo o processo, com a carreira, porque é um espelho, uma polaroid daquele momento.

 

J.D. – A escolha de um dia 8 para encerrar a vossa tour, tem a ver com o facto, deste ser o vosso 8º trabalho de originais ou uma mera coincidência?

V.E. – Existem coincidências felizes e eu, até me fazeres esta pergunta não fazia a mínima ideia (risos). Nós já vamos em 8 discos e por vezes até nos esquecemos de quantos são. Houve muitas coisas pelo meio. Alguns E.P.’s, singles, colectâneas, entre outras coisas. O que eu acho é que nós temos sempre aquela sensação de que somos uma banda nova e é isso que nos dá muito gozo. Nunca pensamos “nós já temos 8 discos”. Nós, só nos lembramos que já temos 8 discos, quando alguém nos diz. Para ser mesmo franco, nós somos totalmente apaixonados pelo presente e pelo futuro, muito mais do que pelo passado. Mas que foi uma fantástica coincidência foi, se não fosses tu a dizer, nem sequer reparávamos (risos). A vida é mesmo feita destas felizes coincidências.

 

J.D. – Qual a importância de voltarem a actuar num sítio tão emblemático como o Cineteatro “Capitólio”, onde a última vez que actuaram estava para encerrar? O que vamos poder ouvir neste concerto?

V.E. – Falavas na coincidência do dia 8 e eu agora falo-te da coincidência do “Capitólio”. Nós fomos a última banda a tocar no “Capitólio”, antes de ele fechar. Gravámos o videoclip do “Trace” e no dia seguinte, o teatro ia ser destruído. O que, entretanto, aconteceu é que quando estávamos lá a filmar, já havia muita coisa destruída e nós estivemos no espaço, que já era incrível (na altura foi o Realizador que o descobriu). Agora anos depois, o “Capitólio” reabre, e nós marcámos a data no espaço sem saber que era o mesmo que ia ser demolido. Quando soubemos, achámos que era um fechar de ciclo, que era fantástico… lá está uma coincidência incrível. O facto de terem aproveitado o “Capitólio”, para nós é quase, estar ligado a uma coisa positiva e não negativa, porque nós íamos fechar um espaço repleto de história e hoje é uma casa renovada cheia de música e de arte e anos depois lá estamos nós a tocar a nossa música. O “Capitólio” está diferente e nós também, por isso acho que vai ser uma boa relação futura.

Nós andamos a tocar o “Often Trees”, numa versão eléctrica/disco ao vivo, porque gostamos muito de desafios, sejam eles musicais ou de outro tipo. Temos acima de tudo, uma vontade imensa de manter a chama acesa e de quebrar a rotina e a monotonia. Aliás, tentamos fazer isso desde o primeiro disco. No caso do “Often Trees”, começámos a fazer uma tour acústica e no “Capitólio” vamos apresentar um concerto, que tem essa base, mas não o vai ser na sua totalidade. Vai ser um misto, quase como um reformular das nossas próprias músicas com diversas versões, usando sonoridades diferentes, apoiando essa base musical noutros instrumentos, que não estão tão presentes no “Often Trees”, como é o piano e as guitarras acústicas. Para nós vai ser um desafio brutal, tentar criar uma dinâmica, densidade e agressividade e fazer a tal viagem, usando outros instrumentos. É precisamente esse desafio, que acho que quem for ao “Capitólio”, vai ouvir e sentir. Claro que vamos também tocar outras músicas de outros discos, mas que foram reformuladas e que quisemos reaproximar do “Often Trees”. Acreditamos que vai ser uma viagem muito interessante, quer para as pessoas, quer para nós.

O Jornal Dínamo® agradece à banda “Blind Zero”, a oportunidade de realizar esta entrevista e à Joana Brandão, que estabeleceu a ponte entre nós.

Evento

Foto: Frederico Martins

 

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