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João Paulo Simões, Realizador

Realizador de Cinema

Vive no Norte de Inglaterra, e entre trabalhos documentais, videoclips, workshops para a BBC e a produção de longas-metragens, o realizador português João Paulo Simões concedeu uma entrevista ao Jornal Dínamo, onde nos falou um pouco de si, do seu trabalho e de um projecto de 2008 que se encontra em fase de remasterização e que irá ser lançado em DVD: “Antlers Of Reason”.

Foto: Sarah Coleman

J.D. – Fala-me um pouco do teu percurso profissional?

J.P.S. – Foi um percurso muito natural. Uma vocação que sempre fez muito sentido e por mais diversos que tenham sido os meus interesses ao longo do meu percurso, apontaram sempre nesta direcção.
Apercebi-me do poder do Cinema ainda criança. Um dia estava a ver um filme do Elvis na televisão e a minha mãe mostrou pena ele já ter morrido. Ao vê-lo ali cheio de vida, fiquei a saber que o Cinema nos concede uma forma de imortalidade.

J.D. – Hoje em dia estás dedicado às longas-metragens, mas já te dedicaste a outro tipo de filmes, como videoclips, filmes documentários. Continuas a fazê-los ou dedicaste-te de corpo e alma a este tipo de filmes?

J.P.S. – A amplitude narrativa e a ideia de moldar o tempo e o espaço a um estudo aprofundado de personagens sempre foi o que me atraiu mais e, nesse sentido, as longas-metragens são mais que perfeitas.
Embora preze a economia visual acima de tudo, desde o início que os meus filmes se rebelaram contra o confinamento das curtas, foi apenas há um ano que fiz a minha primeira curta de 3 minutos. Depois de muitos projectos noutras áreas, incluindo, sim, videoclips e documentários.
Digamos que tem sido um processo mais ou menos inverso ao comum dos outros realizadores… Mas a verdade, é que, para mim, os videoclips continuam a ser a melhor plataforma para experimentar, enquanto que os documentários obrigam a uma disciplina na qual o meu ego não tem (nem pode ter) lugar.
Tudo isto tem vindo a influenciar os meus filmes e a minha abordagem pessoal. Presentemente, flutuo entre esses tão distintos formatos, tendo acabado de produzir dois videoclips, continuando com o desenvolvimento do documentário “Beyond Climate Change” e com a pós-produção de mais uma longa-metragem de ficção.

J.D. – Para além de realizador também escreves argumentos. Como é juntar as duas coisas. É um complemento? Ajuda ao trabalho de realização porque já tens uma ideia formada na cabeça do que queres?

J.P.S. – É uma faca de dois gumes, de certa forma. Adequa-se à minha abordagem artística, essa ideia de criar algo de raiz e vê-lo materializado no final, mas ao mesmo tempo, corre-se o risco de perder a objectividade.
Um pouco de distanciamento para com o material é, para mim, essencial. Por isso mesmo, estou também interessado em “ir beber a outras fontes”, estando mesmo, neste momento, a negociar a adaptação de um conto recentemente publicado no nosso país…

J.D. – Fala-me do filme em que estás a trabalhar agora?

J.P.S. – Neste momento, termino aquilo que chamo de remasterização de um projecto anterior, para que possa ser lançado em DVD. Trata-se de uma produção britânica intitulada “Antlers of Reason”, um conto erótico e atmosférico, repleto de elementos de uma mitologia pagã ficcionada. Gerou bastante controvérsia aquando do seu lançamento, deixando alguns grupos evangélicos pouco à vontade  ̶  chegando mesmo a ser censurado nos EUA…
É o primeiro de uma trilogia, portanto ainda irei incomodar muito mais gente… Mas, afinal de contas, é como o Jean Cocteau disse: “O que quer que seja pelo qual te critiquem, intensifica-o.”

J.D. – Para além do erotismo, há outros assuntos que gostas de explorar, como por exemplo o aquecimento global. Este é um assunto que te preocupa?

J.P.S. – Com certeza. E considero que, aliada aos meios e conhecimentos que possuo, vem uma grande responsabilidade de dar a conhecer, de informar sem pregar… De forma que inspire o próximo.
Referi há pouco o documentário “Beyond Climate Change”. Trata-se de uma co-produção Australiana/Britânica e com toda a certeza a de maior envergadura da minha carreira.
Ainda estamos na fase de gerar o máximo de interesse no projecto e tentar alcançar o financiamento que ele merece. Mas, possuímos, como base e ponto de partida, um estudo muito interessante, acompanhado de muita investigação. Nos tempos que correm, tudo parece mudar de dia para dia. Tentamos por isso ir actualizando a abordagem enquanto a produção não arranca. Posso apenas acrescentar que essa mesma abordagem terá aspectos ainda não explorados devidamente, em trabalhos sobre o mesmo assunto.

J.D. – O gosto pela pintura, a fotografia e as ilustrações, são também coisas a que já te dedicaste. Estão paradas por agora? Pensas voltar a explorar estas artes?

J.P.S. – Curiosamente, o projecto “Antlers of Reason” abarca facetas que me permitem explorar algumas dessas áreas. Não só exploro uma estética de banda-desenhada no filme, como crio sequências inteiras compostas de uma sucessão de fotografias.
Mesmo a trilogia, já veio inspirar outros trabalhos dela derivados e que utilizam essas mesmas formas de expressão como linguagem principal. O melhor exemplo disso é talvez a graphic novel que escrevi e irei co-ilustrar com vários artistas, que mostra uma alternativa ao que se encontra nos filmes, com novas personagens.

J.D. – Mas como és o homem dos sete ofícios, ainda tens lugar para a música. Que é feito dos “Freud’s Groin”?

J.P.S. – Os “Freud’s Groin” foram uma banda de culto dos anos 90, na qual era vocalista. Considero que foi uma aprendizagem muito importante para o meu desenvolvimento artístico. Foi com o meu primo e baixista nessa banda, o David Benasulin, que viria também a formar a primeira encarnação dos Ultimate Architects.
Apesar de me ter mantido na periferia desse projecto, continuei sempre ligado à música, directa ou indirectamente.

J.D. – A terminar e até agora que balanço fazes da tua carreira e como sentes a forma como as pessoas vêm o teu trabalho?

J.P.S. – Considero que não tem sido um trajecto nem fácil, nem óbvio. Em grande parte, precisamente, pela forma e conteúdo dos projectos que escolho, muito embora também considere que os projectos me escolhem a mim. Mas por cada dezena de pessoas a quem falta a curiosidade necessária para entrar no meu mundo e o apreciar pelo que ele é, existem sempre umas quantas algures que o fazem. Tenho vindo a ser contactado ao longo dos anos por pessoas que se sentem absolutamente privilegiadas por terem assistido a filmes meus e isso é extremamente gratificante.

A edição especial em DVD de “Antlers of Reason” pode ser encomendada online aqui .

Quem quiser saber mais acerca do documentário, visite o blog .

Obs.: as duas últimas imagens são retiradas do filme “Antlers of Reason”.

Fotos: João Paulo Simões / Sarah Coleman

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