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Luís Miguel Rocha, Escritor

Escreve contos sobre o Vaticano, e é best seller de um dos míticos tops de vendas, o “New York Times”. Já lhe chamaram o Dan Brown português, mas na verdade chama-se Luís Miguel Rocha é português, natural do Porto e neste momento, tem o livro mais vendido em Portugal.

Agora após quatro livros vendidos e traduzidos em inúmeras línguas, edita o seu quinto livro “A Mentira Sagrada” que promete ser polémico, mas acima de tudo dar muito prazer a quem o ler.

Quisemos falar com o autor, para saber um pouco mais sobre esta “Mentira Sagrada”. Encontrámos o simpático e sempre sorridente Luís Miguel Rocha, no Hotel Marriot em Lisboa onde tivemos uma conversa descomplicada, descomplexada e divertida.

J.D. – Este é o seu quinto livro. Os outros estavam mais ligados ao Vaticano. Este é um pouco diferente. Fale-me dele?

Luís Miguel Rocha - Foto de sigrid_strada

L.M.R. – O livro aborda o Jesus Histórico e não o Jesus teológico. O Jesus histórico é um desconhecido, sendo que o teológico já o conhecemos muito bem. Para se perceber quem era o Jesus histórico, começou-se a estudá-lo… sacrilégio… (risos), em meados do Séc. XVIII. Começou-se a olhar para as fontes históricas (e a maior é a bíblia) com olhos científicos. Pegando precisamente na Bíblia ela começou a ser analisada como se fosse um livro, palavra a palavra e a ser comparada com outras fontes escassas, também da época, com as leis da época e com os costumes e tradições e depois foi-se ver se batia tudo certo, e se as coisas eram passíveis de se terem passado realmente como se relatou. Então chegou-se de facto, à conclusão que havia muitas contradições na história de Jesus que não combinavam com a lei judaica. E é esse Jesus, essa aproximação do Jesus real que o livro trata.

J.D. – Na sua recolha de fontes e para fazer este livro, esbarrou com mais portas abertas ou portas fechadas?

L.M.R.: Em termos de historiadores e arqueólogos, as portas estão sempre todas abertas. No entanto não há consenso porque nenhuma verdade é absoluta sobre este tema. Eu sei que a igreja defende acerrimamente que a história foi assim e não se pode mexer nem numa vírgula, mas a realidade é que verdades absolutas não existem. Ninguém sabe porque ninguém esteve lá e as fontes históricas e as fontes arqueológicas são muito poucas. O que posso dizer é que cada um defende a sua dama, e não podemos esquecer que mesmo o ponto de vista científico tem várias correntes: uns que defendem o Jesus do ponto de vista mais teológico e outros que defendem um Jesus do ponto de vista mais humano. Ou seja os próprios cientistas não estão de acordo mas essa discussão é importantíssima e é muito interessante. Então eu quis apresentar às pessoas aquilo que hoje e em termos históricos se acredita que é a versão mais aproximada do Jesus Homem. É isso que eu quero mostrar com este livro.

J.D. – A apresentar o seu livro no Palácio Foz, esteve o jornalista e escritor, José Rodrigues dos Santos. Esta foi uma escolha pessoal sua?

L.M.R.: Foi sim. Eu queria ter alguém a apresentar o meu livro que é ousado a escrever e que sem dúvida o faz muito bem. Já tratou de assuntos como o terrorismo, ambiente, aquecimento global e Deus também. Explicar o Deus cientificamente é para mim obra. Por tudo isto penso que o José Rodrigues dos Santos era pessoa certa e fiquei muito contente por ele ter aceite estar presente, desde a primeira hora, mesmo com todas as suas ocupações, mesmo lendo o livro nos intervalos da guerra da Líbia, como ele me disse e mesmo com o facto de ter que ir apresentar o telejornal. Nunca se escusou a estar presente e eu tenho de lhe agradecer muito por tudo isso. E gostei sem dúvida muito da sua apresentação.

J.D. – É a primeira vez que está a ser editado pela Porto Editora. Esta parceria vai-se estender a outras obras suas?

L.M.R.: Espero que sim. À Porto Editora tenho de agradecer porque confiou em mim e apostou muito em mim. 25.000 livros, não é pêra doce (risos), é mesmo uma aposta muito forte e nesse aspecto eu estou extremamente grato e eu só tenho de cumprir. Gostaria sem dúvida que este fosse o primeiro de muitos.

J.D. – Este livro vai envolver uma iniciativa que pretende realizar, lá para Junho, e que vai passar por Roma e por alguns sítios muito específicos. Conte-me o que irá acontecer?

L.M.R.: Vamos fazer o roteiro da “A Mentira Sagrada”. Ou seja, vamos visitar os locais que estão descritos no livro e por onde as personagens passam no livro, com dois leitores. A visita será guiada pelo autor, que neste caso sou eu, e penso que poderá ser muito interessante. Vou tentar explicar a componente histórica e visual e já agora política e dar um colorido ao livro. Porque ler e imaginar é diferente de estar lá e assim eles poderão ver com os seus próprios olhos que estas coisas existem de facto, nos sítios mencionados e que não é pura imaginação do autor (risos), ou dizendo de outra forma não é só a imaginação do autor.

J.D. – O que é que sente por ser o único escritor português, best-seller do top mais cobiçado: o New York Times?

A Mentira SagradaL.M.R.: Bom, não tenho explicação para isso. Ninguém escreve para ser best-seller do “New York Times”, nem para ser prémio Nobel. Eu penso que isso acontece. Felizmente os leitores que tenho lá fora estão a gostar do que eu escrevo e por isso só posso estar grato. Penso que em Portugal quem lê gosta, ou quem lê está a gostar e estão a valorizar cada vez mais os meus livros e a aposta da Porto Editora não é inocente neste aspecto. Os leitores estão cada vez mais a aderir e a gostar e são cada vez mais e por isso estou tranquilo. Penso que é um bom sinal dos tempos.

J.D. – Acha que está mesmo a iniciar um estilo de literatura que ainda não tem nome, como disse o José Rodrigues dos Santos na apresentação do seu livro?

L.M.R.: Não faço ideia (risos). Acho que não. Eu achei a afirmação curiosa, mas penso que não. Eu escrevo thrillers onde há muita acção e a história passa-se em muito pouco tempo, e esta é a fórmula típica do thriller. A única inovação se assim se pode dizer claro, é que eu trato as personagens pelo seu nome real se de facto elas forem reais. Eu não chamo ao Papa Bento XVI, Bento XVII, nem Paulo VII, ou João Paulo III, isso não faço. Se é o Papa actual é o Papa actual, se é o Secretário de Estado X é o Secretário de Estado X, não invento nomes. Se isto é um estilo? Não me atrevo a julgar, pois não faço a mínima ideia. Penso que não. Poderá ser um estilo meu mas não creio que seja um género (risos).

J.D. – Também já houve pessoas que lhe chamaram: “Dan Brown português” dado que ambos escrevem sobre os mesmos assuntos. Acha que a sua escrita se assemelha à do Dan Brown, ou o Luís explora os mesmos temas mas sob outro ângulo?

L.M.R.: Eu penso que são duas coisas diferentes. Se formos a ver bem eu já escrevi mais livros sobre o Vaticano que o Dan Brown. Vamos lá ver quem é que está a copiar quem (risos). Eu já escrevi quatro livros e ele escreveu um e meio. Para ser franco se formos a comparar a fórmula não é do Dan Brown. Muito provavelmente se se for a analisar a fórmula do thriller ela é mais do John Le Carré, que é o grande mestre do thriller e eu acho que ainda não há quem o iguale, mas essa é a minha opinião naturalmente. A comparação com o Dan Brown deixa-me de alguma forma feliz. Mas existe uma diferença. Nos meus livros, existe perigo, e a acção desenrola-se em pouco tempo, mas não há puzzles. Se formos a compará-los são mais realistas se posso colocar a questão assim. Claro que isso não quer dizer absolutamente nada. Não estou a diminuir o estilo do Dan Brown. Digo é que os meus são mais realistas no aspecto de como funciona o Vaticano, e digo isso porque também já li os livros do Dan Brown e falo com conhecimento de causa. Claro que não vendi tantos livros como ele, isso deixo para os leitores decidirem. Penso que apesar da comparação temos estilos diferentes.

J.D. – Já sentiu alguma vez que, pelo facto de escrever sobre certos assuntos, poderia ter a sua integridade física ameaçada?

L.M.R.: Não, nunca. Era uma espécie de atentado suicida começar a escrever sobre estes assuntos sem saber quais poderiam ser as consequências. Há autores que escrevem, por exemplo sobre o Vaticano e que têm guarda-costas, estou-me a lembrar assim de repente do César Vidal. Há outros autores que escrevem sobre o Vaticano, eu o Eric Frattini e outros tantos que não têm guarda-costas, claro que há uma explicação muito simples para isto, ou poderá ser eventualmente uma explicação se assim entenderem acreditar. Há quem escreva, sobre o Vaticano sem conhecer ninguém lá dentro e há os que escrevem com conhecimentos dentro do Vaticano, ou seja que têm outra segurança, outra postura. Eu escrevo sobre o Vaticano, não escrevo livros sobre religião… aliás eu até costumo dizer “Deus me livre escrever um livro religioso” (risos), que eu isso não faço, mas a verdade é que temos uma postura muito diferente. Há quem nos acuse por causa da nossa escrita, e se calhar eu dou-lhes alguma razão. A questão que se coloca aqui é que temos demasiada informação e ao misturá-la com a ficção isso é demasiado, porque as pessoas acreditam em tudo o que nós escrevemos, mas como disse no outro dia o José Rodrigues do Santos, “na ficção pode-se dizer mais verdade no que no jornalismo” e do que na vida real também. Se calhar nós usamos essa vantagem a nosso favor, para poder contar uma história que ao mesmo tempo vai entreter e dar uma lição de história. Se o leitor acredita ou não acredita… bom… aí deixo mesmo ao critério de cada um. Nós não estamos a impingir a nossa opinião, estamos sim a entreter primeiro que tudo.

J.D. – Se alguém lhe propusesse escrever um livro sobre qualquer assunto que se passasse em Portugal. Qual o tema que escolheria para um livro seu?

L.M.R.: Boa pergunta… Eu penso que há muitas histórias misteriosas para escrever sobre Portugal. A nossa história está cheia de pérolas que ninguém ou muito poucas pessoas conhecem e mesmo na história contemporânea há muitos assuntos por onde pegar. De repente, não me vem à mente uma história… mas elas existem e algumas são muito apaixonantes. Por isso provavelmente pegaria numa dessas histórias, iria descobrir tudo sobre ela e depois naturalmente escreveria sobre o assunto visado.

J.D. – Por onde vai andar a apresentar “A Mentira Sagrada”?

L.M.R.: Vou andar praticamente por todo o país. Vai ser uma digressão com sessões de apresentação e de autógrafos, vou também a algumas escolas, e estarei também na Feira do Livro. Essencialmente vou estar em livrarias de norte a sul do país praticamente todos os dias. Poderão ver por onde ando na minha página pessoal.

J.D. – A última pergunta é um espaço que deixamos ao entrevistado. Neste caso perguntava-lhe que mensagem gostaria de deixar às pessoas que possam ler esta entrevista?

L.M.R: Este é um espectáculo montado para o leitor. Eu não escrevo para críticos, eu escrevo para leitores pois eles são sem dúvida o juiz supremo, neste caso o juiz sagrado (risos) da “A Mentira Sagrada”. Fi-lo com muito carinho e com muita sensibilidade para que desfrutem de cada palavra, de cada página e de cada capítulo. Tenho a certeza que muitas pessoas vão descobrir um Jesus completamente diferente daquele a que estão habituados. Vão descobrir coisas novas, ligações da igreja e dos meandros da igreja, das ordens religiosas, e nomeadamente de uma ordem religiosa Jesuíta que apareceu num momento crucial e que para mim é fascinante. Apesar de serem vilões no livro, fascinam-me imenso e portanto a mensagem que deixo é que desfrutem do espectáculo.

O Jornal Dínamo agradece ao escritor Luís Miguel Rocha e à Porto Editora, a oportunidade de realizar esta entrevista.

Foto: Sigrid Strada

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