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Luísa Sobral, Cantora

Foi no Espaço Fábulas no coração de Lisboa que nos encontrámos com a artista Luísa Sobral, para uma conversa em que o tema foi sem dúvida uma cereja no topo do bolo, ou não fosse este também o título do seu primeiro trabalho “Cherry on My Cake”.

De uma forma simpática e descontraída, Luísa Sobral falou-nos um pouco de si, e de como surgiu o seu primeiro trabalho, “Cherry on My Cake”.

J.D. – Fez uma formação em Boston e depois foi para Nova Iorque conte-me acerca da sua decisão de ir estudar para o estrangeiro?

Luísa Sobral: A formação em Boston foi posterior a um intercâmbio que fiz também nos Estados Unidos e onde tirei o 12º ano, e onde tive a experiência de viver com uma família americana. Só depois é que decidi que me queria inscrever numa escola americana de música para estudar Jazz. Enviei tudo o que era necessário para o Berklee College of Music, fui aceite e fiquei em Boston onde estive durante quatro anos. Quando se faz o curso completo que foi o meu caso, e como é costume, a escola dá um visto de um ano para se poder trabalhar na área que se estudou e eu decidi ir para Nova Iorque porque era o sítio que fazia mais sentido, uma vez que cantava Jazz. Fiquei lá seis meses, a tocar em restaurantes e bares, com pessoas que eu gostava bastante e depois recebi o contacto da Universal Music Portugal a dizer que estava interessada em gravar comigo e então vim para cá.

J.D. – “Cherry on My Cake” é o nome do seu trabalho, e uma expressão muito positiva, muito motivante, o que me leva a perguntar-lhe qual é o “Cherry on Your Cake”?

Luísa Sobral: Eu acho que o “Cherry on My Cake”, agora é o CD. Tenho que dizer que tenho tido muita sorte em tudo o que tenho feito. Quis fazer aquele ano de intercâmbio e fi-lo, quis entrar na Universidade e consegui. Ia sair porque não tinha tanta bolsa e eles ao aumentarem-na fizeram com que pudesse ficar. Por isso acho que tem tudo corrido muito bem na minha vida, tenho conseguido fazer aquilo que gosto e tenho conhecido pessoas muito interessantes no meio da música. Agora sinto que este CD é o “Cherry on My Cake”, porque penso que se morresse amanhã, já tinha o meu CD e já havia algo para ficar meu neste mundo e de que me orgulhasse. O nome surgiu porque faz parte da letra de um dos meus temas e ao início era só isso, mas depois a minha mãe, disse-me num dia que tinha sonhado nessa noite que o meu CD estava à venda e que se chamava “The Cherry on My Cake”, e eu achei piada, porque nem se quer tinhamos falado muito dessa frase, porque como disse pertencia só a uma das músicas, e como eu também gosto muito desse mundo dos sonhos achei que era um bom título.

J.D. – A primeira música chama-se “Not There Yet”, foi uma escolha ao acaso, ou foi escolhida porque também se insere um pouco na ideia do “Cherry on My Cake”?

Luísa Sobral: Esta foi uma escolha de todos, não só minha. Foi minha, da Universal, e também do meu manager. Os meus temas são um pouco mais jazzísticos, o que por vezes os torna difíceis de entrar no mercado e entrar no ouvido das pessoas. O “Not There Yet” para além de ser um dos meus temas favoritos… bom agora já não sei, já ouvi tanta vez que já não sei se é (risos), mas como estava a dizer, como era um dos meus temas preferidos, decidimos que devia ser esse porque para além disso era o mais acessível para já, para as pessoas e então ficou decidido que este seria o single de lançamento.

J.D. – Já cantou em palcos maiores e mais pequenos. Como é que sente que o público a recebe?

Luísa Sobral: Tenho tido muita sorte. As pessoas têm-me recebido sempre bem. Tenho tido boas críticas. Eu gosto muito de falar com o público e de estar em palco. Para além de estar em palco a cantar, também fiz anteriormente teatro e portanto o palco é um sítio onde me sinto muito confortável. Claro que também me sinto nervosa sempre, tal como qualquer actor ou cantor, mas é sem dúvida um sítio onde gosto muito de estar, tanto nos grandes como nos pequenos.

J.D. – Participou também no “Super Bock in Stock” de 2009, onde cantou somente em inglês, mas na altura explicou que ainda não tinha músicas em português. Depois disso uma das músicas que cantou foi o “Sair para a Rua”?

Luísa Sobral: Sim, fiz realmente uma versão do “Sair para a Rua” que é uma música do Rui Veloso. Em português escrevi o “Engraxador” e o “Chico”. Para além disso tinha uma versão do “La Vie en Rose”. Quando começamos a olhar para o álbum para perceber como iria ser, pensámos em várias músicas, sendo que uma delas foi o “La Vie en Rose” que é uma música da qual já se fez várias versões e era engraçado, já que estou em Portugal cantar uma música que gostasse em português. A partir daí comecei a pensar e cheguei à conclusão que o Rui Veloso é dos músicos portugueses que mais marcou a minha infância então resolvi também escolher um dos temas dele que mais gosto e fizemos então uma versão do “Sair para a Rua”.

J.D. – Durante a sua estadia de 4 anos em Boston foi também nomeada para vários prémios. Um deles foi o “Best Jazz Song” e para o “Malibu Music Awards” ambos em 2008 entre outras. Estas nomeações representam reconhecimento do trabalho que tem vindo a desenvolver?

Luísa Sobral: Sim e não só. Por vezes estamos a compor e gostamos do que estamos a fazer, mas depois pensamos: será que isto é bom para as outras pessoas?… Não é isso naturalmente que alimenta a nossa paixão pelo que fazemos mas quando nos questionamos se o que estamos a fazer é bom ou não, ainda para mais num país tão grande como os Estados Unidos onde é muito mais difícil ser reconhecido, ser diferente e especial. Quando recebi estas nomeações, e também por exemplo o ter sido finalista no “The John Lennon Songwriting Contest”, que é um dos compositores e letristas que mais gosto. Penso que é mais uma maneira de confirmarmos que o mais provável é estarmos a ir no bom caminho.

J.D. – Compor para a Luísa é criar. A sua inspiração vem dessa criação, ou melhor do amor que coloca nessa criação?

Luísa Sobral: Para dizer a verdade não sei de onde é que vem (risos), eu sei que quando começo a compor há algo nos acordes, no som que me inspira. Eu posso-me sentar ao piano, e tocar um acorde, e isso pode ser uma inspiração. Os sons inspiram-me, e eu não sei exactamente o que é, mas sim também tem a ver com o amor que ponho nas músicas, mas sinceramente não sei dizer de onde é que surge essa inspiração. Vai surgindo naturalmente.

J.D. – Há artistas que gostam de manter certos rituais, antes de subirem ao palco. A Luísa tem algum em especial?

Luísa Sobral: Não. Por acaso nunca tinha pensado nisso, mas realmente acho que não que não tenho nada, nem costumo fazer nada. Tenho coisas normais como estar sempre a beber água, não falar muito antes para não cansar a voz mas isso são mais rituais de saúde do que de superstição. Eu não tenho muito essas coisas, como por exemplo ter que entrar com o pé direito no palco. Não sou mesmo nada virada para essas coisas. Geralmente entro, e entre as primeiras músicas tento falar pausadamente porque isso é algo que me acalma. Eu falo muito depressa (risos) então se falar devagarinho no início isso sem dúvida acalma-me.

J.D. – Já tem programado por onde vai andar a mostrar o seu “Cherry on My Cake”?

Luísa Sobral: Em princípio será no início de Maio, ainda não sabemos a data exacta. Vamos andar por Portugal, que é o que eu quero agora. Mostrar o álbum e ver a reacção das pessoas, a este trabalho. Depois claro, gostava de andar pela Europa, mas por agora vamos trabalhar aqui.

J.D. – Algo que já se torna habitual, nas entrevistas do Jornal Dínamo é terminá-la sempre da mesma forma. Gostaria de lhe pedir que deixasse uma mensagem às pessoas que possam ler esta entrevista.

Luísa Sobral: Eu gostava que as pessoas que saibam que o meu trabalho é muito à volta do Jazz e nem o apreciam muito, o ouvissem primeiro antes de formularem uma opinião. Acho que é importante ouvirmos e experimentarmos coisas diferentes, até porque agora em Portugal estão-se a desenvolver novos projectos e penso que é importante dar valor ao que é nosso, e também ao que é diferente. Não falo naturalmente só do meu projecto, porque há muitos e bons a serem desenvolvidos em Portugal. Se não ouvirmos não sabemos se gostamos, e se não ouvirmos não vamos dar nunca uma oportunidade a esses projectos. É esta a mensagem que gostaria de deixar.

O Jornal Dínamo agradece à cantora Luísa Sobral e à editora “Universal Music Portugal” a oportunidade de realizar esta entrevista.

Imagem: Universal Music Portugal

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