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Moonspell “The Road to Triumphant Extinction”

Coliseu dos Recreios

| A 27 de Março, os Moonspell consagraram a sua tour com o concerto em Lisboa, cidade que os viu nascer e que os lançou para o mundo.
O Coliseu dos Recreios transformou-se desde as 21H e pelas horas que se seguiram, num templo onde professaram os cultos negros e pagãos do heavy metal.
Na já longa tour, iniciada com o lançamento do 11º trabalho de estudo, “Extinct”, a data agendada para a capital (assim como para o Porto) era esperada efusivamente pela banda e pelos fãs.
A fasquia estava elevada e não era para menos, não é todos os dias que vemos uma banda portuguesa nos tops de vários países europeus e muito menos uma banda que em nada é mainstream, entrar directamente para o primeiro lugar do top nacional de vendas.
O Jornal Dínamo®, orgulha-se de acompanhar este trabalho, desde o lançamento do documentário “Road to Extinction”, bem como o álbum “Extinct”, e por fim a passagem nos palcos portugueses (o aguardado concerto da banda mais internacional de sempre portuguesa, no Coliseu dos Recreios).

Se me permitem o aparte, confesso que os Moonspell, sempre tiveram um lugar de destaque que acarinho desde cedo no meu ouvido. Com este concerto, completo o ciclo de 15 actuações ao vivo que assisti da banda e que nunca me deixaram desapontado.

A noite era de festa, e os Moonspell como anfitriões presentearam a assistência com surpresas a preceito a quem afluiu à mítica sala de espectáculos lisboeta.
Pelas 21H dava entrada a histórica banda portuguesa, Bizarra Locomotiva, percursores do metal industrial português (em muito semelhantes aos congéneres alemães Rammstein), que traziam na bagagem o mais recente trabalho de originais, “Mortuário”.

A banda liderada por Rui Sidónio, teve uma incrível prestação em palco, ainda que a assistência estivesse um pouco dispersa, beneficiando ainda assim de uma acústica que não viria a ser da mesma qualidade no desenrolar da noite.
Como já é sabido, Fernando Ribeiro, sempre foi um grande entusiasta e fã da banda, apoiando os Bizarra Locomotiva de forma incondicional. Um dos momentos altos da noite foi a participação do frontman dos Moonspell no tema em “Anjo Exilado”.

 

Foi uma prestação como já vem sendo tradição, sui generis condimentada com uma certa teatralidade, a dos Bizarra Locomotiva que serviu de aquecimento, merecedora do respeito do público que ali estava aguardar o momento nobre da noite.

Pelas 22H, subiam ao palco os compagnon de route dos Moonspell nesta tour, os gregos Septicflesh. Discípulos de um som cru, por muitos indicados como pais do Death Metal Sinfónico com claras influências de bandas oriundas do norte da Europa, berço das sonoridades mais pesadas como “Hypocrisy” sendo que muitas vezes é impossível não fazer óbvias comparações com os noruegueses Dimmu Borgir.

Com o álbum editado no ano passado “Titan”, foi o pretexto para entreter a plateia, sendo que não foram esquecidos alguns temas do aclamado álbum de 2008 “Communion!”.
Foi no entanto, uma prestação mediana, um tanto ou pouco híbrida, onde não faltaram os habituais chavões de bandas do género para cativar uma audiência que ali estava mais para ser entretida do que cativada.

 

“Road to Extinction Tour – From so Simple a Beginning…”

Embora portugueses de gema, os Moonspell rapidamente aprenderam com os melhores o que toca as questões de pontualidade (britânica ou até germânica)! Às 23H e sem mais demoras davam entrada em palco os pais do heavy metal português.

Humildes, de uma simpatia à qual já acostumaram a legião de fãs, como é seu apanágio, os Moonspell chegaram munidos de “Extinct” para apresentar ao seu público, mas já mais negligenciando o seu património musical.

Para abrir, nada como “Breath (Until we are no more)” e o single “Extinct” (que originou o videoclipe), mostrando que os Moonspell são reis e senhores do seu som. A mostrar isso mesmo, tiveram uma plateia rendida logo desde o início, cantando em uníssono os refrões dos dois primeiros temas (bandas com sucesso mais global não conseguem proezas desta natureza), apesar de alguns problemas de acústica que viriam a dissipar-se ao longo da noite.

E porque o passado é uma herança da qual a banda lusitana se orgulha, seguiram-se no line up temas como “Night Eternal” (do álbum homónimo de 2008), “Opium” e “Awake!” (do álbum “Irreligious” de 1998, retirado do universo literário de Fernando Pessoa).
Por esta altura a celebração ainda ia no início e muita liturgia da obra dos Moonspell ainda estava para se apresentar e recordar.

Porque a banda portuguesa (tal como podemos verificar no documentário apresentado em 25 de Fevereiro no Cinema São Jorge em Lisboa), é feita de trabalho e nada dada a vedetismos habitués das estrelas do rock, respeitosamente agradeceram a vinda do público ao concerto antes de retomar temas do novo álbum e recordar as surpresas que tinham para os presentes.
Seguiram-se os temas “The Last of Us” e o tema mais aguardado por mim, “Medusalem”.

Sabemos que o último disco dos Moonspell é um meticuloso trabalho sobre o conceito darwinista das mais diversas formas e metamorfoses de extinção. Contudo considero existir uma clara mensagem de alerta ou até da factualidade acerca da extinção humana por via da guerra nesta faixa. Este é um tema feliz e bastante bem conseguido numa analogia aos conflitos bélicos do Médio Oriente. Ao vivo, foi um excelente tema que ornamentado com orquestrais orientais, tornaram esta música estonteante ao vivo e quase exótica!

Como prometido, começaram a surgir as surpresas da noite (levando as aficionadas do género gótico ao delírio), com a participação de Mariagela de Murtas (vocalista da banda norueguesa de Goth/Doom Metal Tristânia) – no regresso ao álbum “Irreligious” – no tema “Raven Claws”.
Entre momentos de charme e algumas mensagens da banda, tal como recordado por Fernando Ribeiro, “Extinct” é um álbum desenvolvido com franqueza, trabalho e honestidade! E porque estamos em noite de celebração, a assistência foi brindada com “Funeral Bloom”, “Domina”, “Malignia” e possivelmente o mais pessoal dos temas para Fernando Ribeiro, do recém-editado disco, “The Future is Dark”, que serve como uma mensagem que o vocalista pretende passar a Fausto, filho de Fernando Ribeiro e Sónia Tavares (dos The Gift).

Outra surpresa da noite foi o tema em português do duplo álbum de 2012, “Alpha Noir/Omega White”, que inevitavelmente se tornou um dos muitos hinos da banda, “Em Nome do Medo”, que contou com a colaboração do vocalista e líder da banda Bizarra Locomotiva, Rui Sidónio.
Naturalmente o público contagiado pelo momento, cantou em manifesto o refrão deste que foi o único tema tocado do antecessor de “Extinct”.

 

O ano de 2015 (também para surpresa dos presentes), é o de celebração dos 20 anos de edição do disco “Wolfheart” que catapultou os Moonspell para o sucesso internacional. Nós por cá agradecemos o retorno a “Vampiria” e o louvor da noite à deusa da mitologia lusitana “Ataegina”, tema que por momentos transformou o Coliseu dos Recreios num grande salão de festas medieval, pondo de lado os headbanging, para pôr o público a dançar ao som do tema.
Novamente, agradecimentos em especial ao facto de na semana de lançamento do recente trabalho “Extinct” ter sido nº1 do top nacional e o facto de o Coliseu estar repleto (embora não esgotado, em contraponto com a data seguinte no Hard Club, Porto, que já havia esgotado uma semana antes). E como não poderia faltar o hino maior da banda “ALMA MATER” a levar o público ao êxtase.

E como todas as festas têm um fim, também o concerto da noite teria que terminar, porque a tour já vai longa e nos dias seguintes era vez do Porto e Santiago de Compostela.
Mas os fãs já têm tanto disto como os Moonspell têm de estrada e o natural encore era esperado com o público apelar à banda.

Para finalizar a noite, os Moonspell retornaram ao palco com “Wolfshade (a WerewolfMasquerade)”, tema que a banda dedicou à associação “LOBO”, a favor da conservação do Lobo Ibérico e do seu ecossistema em Portugal (causa que há muito a banda apadrinha), e os épicos “Mephisto” e “Full Moon Madness” a finalizar a triunfante noite de extinção no Coliseu dos Recreios.
Invariavelmente a noite foi de gloriosa actuação, satisfazendo plenamente as expectativas dos presentes, apenas faltando quiçá um ou outro tema, do considerado por muitos, o melhor álbum de sempre da banda, “Memorial” (2006).

Alinhamento

01 – Breath (Until we are no more)
02 – Extinct
03 – Night Eternal
04 – Opium
05 – Awake!
06 – Last of Us
07 – Medusalem
08 – Raven Claws – (com Mariagela de Murtas – Tristania)
09 – Funeral Bloom
10 – Domina
11 – Malignia
12 – The Future is Dark
13 – Em nome do medo (com Rui Sidónio – Bizarra Locomotiva)
14 – Vampiria
15 – Ataegina
16 – Alma Mater

Encore

17 – Wolfshade (a WerewolfMasquerade)
18 – Mephisto
19 – Full Moon Madness

O Jornal Dínamo®, agradece à Everything is New a oportunidade de realizar a cobertura deste concerto.

Fotos: Alexandre Antunes / Everything Is New

Jornal DÍNAMO
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