De 17 a 20 de Setembro, em Marvila, o Festival Iminente regressa com mais de cem artistas em cinco palcos, salas inteiras entregues a artistas visuais, conversas sob o tema “O que pode um festival?” e um programa que estreia, entre outras coisas, cinema e futebol.
Um dos produtores mais influentes da história do hip-hop e metade dos Gang Starr, DJ Premier é a última confirmação musical do Iminente 2026 e actua no sábado, 19 de Setembro, na edição que assinala os dez anos do festival.
Pioneiro de um som que ajudou a definir o hip-hop das últimas três décadas, DJ Premier construiu um percurso que atravessa a história dos Gang Starr e colaborações com nomes como Nas, The Notorious B.I.G., Mos Def ou Jay-Z. A sua chegada ao Iminente completa um cartaz musical com mais de 60 actuações e reforça uma edição que cruza diferentes gerações, geografias e linguagens da música urbana e contemporânea.
“O Iminente nasceu para juntar pessoas, linguagens e contextos diferentes no mesmo espaço. Dez anos depois, essa ideia continua a ser o ponto de partida. Ter o DJ Premier nesta edição é muito especial pela importância que tem na história do hip-hop, mas o festival vai muito para além do palco: o cinema, as artes visuais, as conversas e o trabalho com as comunidades fazem todos parte da mesma edição e da mesma forma de pensar o Iminente.”
— Alexandre Farto aka Vhils
Entre os momentos especiais desta edição está também o regresso de Original Kappa aka Allen Halloween, que atravessa o festival inteiro. Em NOITE DA LISA, revisita o seu percurso e a sua história ao vivo, acompanhado por DJ Fumaxa, Landim, Miss Bity, Drunk Master, Jay Cap, Kinous, Kapataz e um convidado surpresa, um dos maiores nomes do rap português actual, que será revelado apenas na própria noite. Original Kappa assina ainda a curadoria de uma noite com Nex Supremo, DJ Firmeza e Party Smith, numa sequência contínua em palco.
Também Sam The Kid regressa ao Iminente para apresentar Beats Vol.1: Amor com Orquestra e Orelha Negra, num momento único em que o disco é apresentado ao vivo. A obra, imaginada como banda sonora para a história de amor dos seus pais, esgotou nas duas anteriores apresentações, em Lisboa e no Porto, e agora num campo de futebol com vista para o quarto em Chelas onde nasceu.
Aos regressos juntam-se várias primeiras vezes. Lena d’Água estreia-se no Iminente; UN!DD junta, pela primeira e única vez, quatro projectos ligados à nova música de matriz cabo-verdiana feita à volta de Lisboa — Acácia Maior, Cachupa Psicadélica, Scúru Fitchádu e Fidju Kitxora — num encontro entre tradição, spoken word, electrónica, funaná, rock e dub. São ainda estreias Ana Lua Caiano, A Garota Não, Expresso Transatlântico e Ustad Fazel Sapand, entre muitos outros.
O cartaz inclui ainda nomes como Luedji Luna, Conway the Machine, Bahamadia, Black Milk, Dino D’Santiago, Capicua, Gisela João, AJULLIACOSTA, Xullaji, Syer Sujidade Máxima, La Familia Gitana, Mão Morta, Mind Da Gap, Batida, entre muitos outros.
Artes Visuais e Exposições transformam a antiga escola
As salas de aula, corredores e espaços exteriores da antiga Escola Industrial Afonso Domingues passam a fazer parte da programação visual do Iminente. O programa reúne trabalhos e intervenções de Vhils, Tamara Alves, ±MAISMENOS±, Wasted Rita, Camila Rosa, AkaCorleone, Pedrita, Oskouei, João Fortuna, PEDRÊZ, Entangled Others, ML7, 3D Crew, OBEY SKTR, ERROR43 + PEDRITA + FURO, PREGOS shp, Halfstudio, RUSSO 1003PV e Ricardo Passaporte.
A relação com o lugar e com a memória dos dez anos atravessa várias das obras. Vhils apresenta um retrato de José Saramago, que estudou entre estas paredes, em que o mar passa a fazer parte da obra, ocultando e revelando o rosto do escritor com a maré. Pedrita recupera o gnomo de jardim apresentado na edição inaugural do Iminente, em Oeiras, agora com uma nova camada de memória. E ERROR43 + PEDRITA + FURO, transforma dez anos de festival num arquivo vivo, integrando palavras e mensagens de artistas de edições anteriores na própria sinalética que orienta os visitantes pelo recinto.
Entre outras intervenções, ±MAISMENOS± parte de um mundo saturado por imagens de guerra, autoritarismo e desinformação para explorar a distância entre consciência e acção; Tamara Alves trabalha a ideia de matilha, instinto e pertença; Wasted Rita olha para gestos de rebeldia táctil — escrever à mão, riscar uma mesa, deixar uma marca — num mundo cada vez mais vivido através de ecrãs; e Gat Shmanim, de PEDRÊZ, apresenta-se como aquilo que parece ser um sarcófago, mas é afinal uma colmeia que só revela plenamente a sua função quando as condições permitem que a vida a habite.
A ligação a BAIRROS surge também na intervenção de Ricardo Passaporte, criada com jovens dos 9 aos 14 anos do programa e pensada como um caderno colectivo onde diferentes mãos, desenhos, ideias e pontos de vista coexistem.
A programação inclui também duas exposições. Kriminals apresenta, pela primeira vez ao público, uma selecção de retratos do conjunto de desenhos de Allen Sanhá — Original Kappa — dedicado a figuras tratadas como criminosas pela sociedade do seu tempo e mais tarde reconhecidas como heróis. Em The Jaunt by Underdogs, trabalhos de Cody Hudson, Cleon Peterson e Abel Macias mostram o resultado de viagens para lugares onde nunca tinham estado, realizadas sem briefing e sem um resultado pré-definido, transformando a deslocação num espaço de descoberta e criação.
A Fundação Millennium bcp, enquanto mecenas do festival, apresenta o espaço Arte Partilhada, de Sofia Krus, e a GALP a instalação sonora dos Ricochete.
Pela primeira vez, o Iminente apresenta cinema: quatro filmes, uma estreia absoluta e uma estreia europeia
Ao décimo ano de existência, o cinema entra pela primeira vez na programação do Iminente.
São quatro filmes ligados diretamente a pessoas, lugares e movimentos que também fazem parte da história ou do cartaz desta edição: um homem, uma banda, um bairro, um movimento.
20 de Setembro, 18h15 | Em estreia mundial, o Iminente apresenta Implantação da Rapública #4: Rimar o Hip-Hop, da autoria de Bruno Martins, com realização de Catarina Peixoto. O filme encerra a série que a Antena 3 estreou em 2019, nos 25 anos de Rapública, a compilação que, em 1994, marcou a chegada do rap português ao disco. Este quarto e último episódio, dedicado aos MCs, reúne nomes ligados à história do hip-hop e do próprio Iminente, entre os quais Capicua, Sam The Kid, Xullaji, Ace e Presto, General D, Bambino, D-Mars, Fase, Maze e Mundo Segundo.
17 de Setembro, 20h00 | Manga d’Terra, de Basil da Cunha, leva ao festival uma Reboleira filmada com quem lá mora e com quem de lá saiu, falada e cantada em crioulo, com Eliana Rosa como protagonista. A banda sonora inclui também Acácia Maior, que sobe ao palco do Iminente a 19 de Setembro integrada em UN!DD.
18 de Setembro, 18h45 | Em Complô, de João Miller Guerra, a câmara acompanha Ghoya (Bruno Furtado) no estúdio e até ao Festival Iminente, na Matinha, em 2021, no primeiro concerto que deu depois de sair da prisão. Nesta edição, Ghoya regressa ao Iminente e actua no mesmo dia em que o filme é exibido.
19 de Setembro, 18h15 | O programa completa-se com a estreia europeia de Dead City Punx, produzido por Zack de la Rocha, dos Rage Against the Machine. O filme acompanha os Dead City e a cena punk DIY de Los Angeles — concertos improvisados debaixo de auto-estradas, multidões que se juntam antes da chegada da polícia e uma cultura construída fora dos circuitos convencionais. A banda actua no Iminente no mesmo dia da exibição.
Bairros e Unfold: criação com as comunidades, para lá dos quatro dias do festival
A dimensão de criação e colaboração que atravessa o percurso do Iminente está novamente presente através de BAIRROS, o programa de workshops artísticos comunitários que, desde 2020, trabalha em territórios de habitação social de Lisboa. Ao longo destes anos, o projecto tem vindo a moldar a própria identidade do festival, criando relações continuadas entre artistas, associações e comunidades e procurando quebrar barreiras no acesso às artes.
Este ano, essa escuta deu origem a processos de serigrafia e cerâmica experimental, construção de instrumentos para fazer música, muralismo, dança, retrato e criação intergeracional. Mais do que acções pontuais, vários workshops deixam conhecimento, ferramentas e estruturas que podem continuar a ser utilizados pelas associações depois do festival — da capacidade de produzir merchandising de forma autónoma à experimentação com cerâmica sem recurso a fornos profissionais, passando pela construção de instrumentos a partir de materiais do quotidiano.
Os processos desenvolvidos ao longo dos últimos meses chegam agora ao Iminente, onde parte dos seus resultados é apresentada ao público entre 17 e 20 de Setembro. O festival apresenta um ano de trabalho do programa Bairros: dez oficinas realizadas durante o Verão em associações de bairros municipais de Lisboa, com Arashida, Oficina Fritta, Lígia Fernandes, Joãozinho da Costa, Vítor Agostinho, Galdéria e U-Nick. No domingo, os moradores sobem ao palco — Hugo Menezes com a Rés do Chão, OMIRI com a VMBA, Nuno Cintrão com a Geração com Futuro.
Apresenta-se também o UNFOLD, projecto europeu sobre o espaço público que juntou artistas de Portugal, Sérvia e Grécia. Dele resultam duas performances — Chloe Aligiani, coreógrafa grega que pediu como mentora alguém de um rancho folclórico português, e Nemanja Bošković, que pediu um mentor da área social e não um crítico de dança — e as instalações de Miljena Vučković e Athanasios Kanakis.
“O que pode um festival?”: quatro conversas sobre cultura, cidade, língua e espaços de criação
Depois de dez anos, seis cidades e mais de seiscentos artistas — muitos deles a subir a um palco pela primeira vez —, o Iminente propõe nesta edição uma pergunta: O que pode um festival?
A partir da antiga Escola Industrial Afonso Domingues, encerrada há dezasseis anos e que abre agora ao público durante os quatro dias do festival, quatro Conversas Iminente discutem aquilo que a cultura pode efectivamente transformar numa cidade — e também os seus limites, sem confundir intervenção cultural com respostas que pertencem às políticas públicas.
Espaços culturais e vida nocturna, gentrificação, língua e sotaques, autoridade, criação independente e transmissão entre gerações atravessam um programa que reúne artistas, jornalistas, investigadores e projectos culturais e comunitários.
17 de Setembro — Onde acaba a noite?
Moderação de Manuel Ruiz.
O que se perde numa cidade quando desaparecem clubes, associações e outros espaços onde determinadas comunidades podiam encontrar-se, criar, dançar ou simplesmente permanecer? Uma conversa sobre a noite para lá do entretenimento: como espaço cultural, social e de pertença.
18 de Setembro — Devoluto pode ser devolução?
Moderação de Nuno Ramos de Almeida.
Uma conversa sobre edifícios devolutos, gentrificação, ocupações temporárias e o papel que projectos culturais podem — ou não — desempenhar na relação entre espaços, comunidades e cidade.
19 de Setembro — Quem tem autoridade sobre a língua?
Moderação de Marta Lança.
Crioulo, português de Lisboa, português do Brasil, sotaques e funaná cruzam-se numa conversa sobre a língua enquanto território: quem define a forma “certa” de falar, que vozes encontram ainda portas fechadas e de que forma a música muitas vezes chega antes da gramática.
20 de Setembro — De onde vem esta música?
Moderação de João Mineiro.
Trinta anos de rap e criação independente em Portugal fizeram-se também em caves, associações, bairros e estúdios construídos com o que havia. A conversa parte dessa história para perguntar o que acontece depois de se conquistar um espaço: como se preserva, como se partilha e como se abre caminho a quem vem a seguir?
E ainda
Jogo de futebol no sábado, no campo da escola, a inaugurar o projecto CAMISOLAS (nome provisório), com equipamentos criados por artistas para clubes com quem o festival trabalha. E Iminente Breaking Battle todos os dias no programa do Festival.
Tatuagens, skate e comida. O halfpipe da RVCA regressa ao festival. Quem trouxer o skate usa a rampa. As tatuagens do Iminente, já tradição da casa, estão de volta em espaço próprio, com tatuadores convidados. Na restauração também há novidades: pela primeira vez a selecção foi feita com o Kid Abril, que escolheu dez restaurantes para estes quatro dias, ao lado do já tradicional arraial popular com associações e lojas dos bairros.
Dez anos de Iminente
Criado em 2016, o Iminente chega em 2026 à sua décima edição depois de ter passado por seis cidades e recebido mais de seiscentos artistas — para muitos deles, o primeiro palco da vida.
O décimo aniversário conta com o mecenato da Fundação Millennium bcp e reúne mais de uma centena de propostas entre música, artes visuais, performance, cinema, conversas, projectos comunitários, gastronomia e espaços de artistas. Uma parte significativa do programa nasce de curadorias partilhadas, entregues a artistas, colectivos e estruturas que não só programam como também fazem parte do festival, reforçando a multiplicidade de vozes que constroem o Iminente.
De 17 a 20 de Setembro, o Iminente assinala os dez anos na antiga Escola Industrial Afonso Domingues, em Marvila, e abre ao público durante os quatro dias do festival.
BILHETES
Passe 4 dias — 60€
Passe 3 dias — 55€
Passe fim de semana, sábado e domingo — 38€
Bilhete diário — 20€ em venda antecipada / 25€ à porta
Bilhetes disponíveis nos canais oficiais do Festival Iminente.
Festival Iminente 2026 | 17 – 20 Setembro | Escola Afonso Domingues, Marvila, Lisboa




